Muralha de pedras vulcânicas e óleo de baleia intriga pesquisadores em Goiás

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Na região oeste de Goiás, uma muralha de pedra de 15 km de extensão, localizada na cidade de Paraúna, intriga historiadores e geólogos. A estrutura, de origem desconhecida, é composta por basalto negro e rochas vulcânicas, fixadas com o que se acreditava ser óleo de baleia.

A Prefeitura de Paraúna informou que a origem exata da muralha é incerta. Alguns pesquisadores acreditam que a formação pode ter origem oceânica, enquanto outros defendem que foi construída por humanos como uma divisão entre os povos Incas e Maias. A muralha está situada no Parque Estadual de Paraúna (Pepa), que inclui a Serra das Galés e a Serra da Portaria.

O geólogo Silas Gonçalves comentou que a muralha pode ser ainda mais antiga que qualquer civilização, com idade estimada entre 135 e 130 milhões de anos. Ele sugere que a formação é resultado de um dos maiores eventos vulcânicos continentais, relacionado à fragmentação do supercontinente Gondwana e à abertura do Oceano Atlântico Sul. “Esse evento originou a Província Magmática Paraná, responsável pela emissão de grandes volumes de lava basáltica que recobriram extensas áreas do sul e centro do Brasil”, explicou.

A lava se espalhou pelas regiões Sul e Centro do Brasil, e após o resfriamento, transformou-se em rocha vulcânica basalto, apresentando fraturas conhecidas como juntas de resfriamento. Silas Gonçalves observou que os blocos de pedra da muralha são divididos, um fenômeno que também é resultado da erosão natural, que expôs o alinhamento dos blocos vulcânicos.

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O geólogo destacou que a formação da muralha não se assemelha a construções artificiais, mas sim a processos naturais. Ele explicou que a formação é resultado de derrames basálticos cretáceos, fraturamento térmico do basalto durante o resfriamento, fraturas poliédricas no basalto, controle estrutural de lineamento geológico e erosão diferencial entre basaltos e rochas sedimentares.

Sobre a utilização do óleo de baleia, Danilo Lessa, coordenador da unidade de conservação, afirmou que essa informação provém de um dos livros sobre o local. Atualmente, pesquisadores acreditam que a substância é, na verdade, um dique de diabásio, que é magma que escorreu pelas rachaduras e resfriou dentro das fendas da muralha.

Além da muralha, o Parque Estadual de Paraúna oferece outras atrações, como cachoeiras e formações rochosas com formatos variados. Em 2021, pesquisadores descobriram que dinossauros viveram na região, a partir da identificação de um dente de um dinossauro do tipo terópode.

A Cachoeira do Desengano, considerada uma das mais bonitas do parque, está localizada ao lado da estrada e pode ser visitada sem guia, embora sua presença seja recomendada por questões de segurança. O parque está aberto ao público, com visitas recomendadas entre 7h e 17h.

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