O programa Fantástico revelou novas imagens das câmeras corporais da polícia que mostram as reações do tenente-coronel Geraldo Neto após a morte da policial militar Gisele Alves Santana, sua esposa. Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça em seu apartamento, localizado no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro.
Um mês após o crime, Geraldo Neto se tornou réu por feminicídio e fraude processual. De acordo com os investigadores, ele não apenas matou Gisele, mas também alterou a cena do crime. As imagens mostram a chegada dos policiais ao local às 11h24, onde paramédicos tentaram socorrer Gisele.
Durante a abordagem, o tenente-coronel permaneceu quase todo o tempo ao telefone. Em um momento, ele relatou aos policiais: “Eu entrei no banheiro da frente. Só que, quando eu entrei, fazia um minuto, debaixo do chuveiro, ouvi um barulho forte. Achei que era ela batendo na porta. Achei estranho, abri o boxe. Olhei na sala, ela tava caída no chão com sangue. Ela deu um tiro na cabeça.”
No entanto, a perícia contradisse essa versão, afirmando que Gisele não conseguiria alcançar a arma que estava em cima do guarda-roupa. Além disso, uma árvore de natal na sala impediu que o tenente-coronel visse a esposa caída do banheiro.
““Eles não se intimidaram porque era um tenente coronel que estava lá, eles passaram a informação correta do que eles viram aos seus superiores”, disse Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de SP.”
Nas gravações, Geraldo Neto afirmou que o casal dormia em quartos separados e que pretendia terminar o casamento. Contudo, mensagens de celular revelaram que foi Gisele quem pediu a separação. Enquanto ela era levada ao hospital, Neto afirmou que sustentava Gisele e sua filha, mencionando despesas mensais que totalizavam cerca de R$ 6 mil.
O delegado da Polícia Civil, Lucas Lopes, destacou indícios de uma escalada de violência na relação do casal, incluindo violência doméstica, psicológica e financeira. Antes de ser preso, Geraldo Neto se descrevia como um “macho alfa” e exigia que Gisele fosse uma “fêmea beta obediente e submissa”.
Uma vizinha relatou ter ouvido o disparo às 7h28, mas a primeira ligação de Geraldo Neto foi feita apenas às 7h55. O delegado acredita que houve um intervalo que ele pode ter usado para manipular a cena do crime.
As câmeras também registraram o momento em que o tenente-coronel insistiu em tomar banho após o crime, sendo questionado pelos policiais sobre sua decisão. Os policiais lamentaram que, ao tomar banho, ele poderia ter eliminado vestígios.
A investigação concluiu que a versão de suicídio apresentada por Geraldo Neto não se sustenta. A perícia indicou que ele segurou Gisele por trás e atirou em sua cabeça. Um exame revelou a presença de sêmen no corpo de Gisele, e o tenente-coronel alegou que tiveram relações sexuais no dia anterior ao crime.
Após a morte de Gisele, outra policial militar denunciou assédio sexual por parte de Geraldo Neto, ocorrendo enquanto ele ainda estava com Gisele. O advogado da família de Gisele afirmou que a nova denúncia será analisada pela Corregedoria da Polícia.

