Fim da patente do Ozempic traz mudanças para a saúde pública, afirma especialista

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O fim da patente do Ozempic, medicamento à base de semaglutida utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e controle de peso, representa um marco importante para a saúde pública brasileira. A afirmação é do professor Lício Veloso, do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da Unicamp e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Segundo Veloso, a exclusividade da fabricante do Ozempic teve um impacto significativo, considerando o grande número de pessoas com obesidade e sobrepeso no país. Ele afirmou:

““Se nós dispusermos de métodos para tratar adequadamente esses pacientes, vamos ter uma redução no gasto público e também privado com saúde.””

Com o término da patente da semaglutida, há a possibilidade de que os pacientes tenham acesso ao medicamento a um custo menor. O especialista ressalta que, apesar de serem medicamentos de alta tecnologia e caros devido ao processo de desenvolvimento, o fim da patente deve provocar uma queda gradual nos preços ao longo dos próximos meses.

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Além da redução de custos para o consumidor final, a queda da patente também abre caminho para que o sistema de saúde pública possa oferecer o medicamento para a população de baixa renda que sofre com obesidade. Veloso destacou que aproximadamente 20% da população brasileira sofre com obesidade, enquanto cerca de 50% apresenta sobrepeso, muitos com risco de progredir para a obesidade em breve.

Esses pacientes têm maior probabilidade de desenvolver outras doenças como diabetes, hipertensão arterial e risco aumentado de mortalidade por doenças cardiovasculares. O professor explicou:

““O tratamento da obesidade acarreta em melhora das outras doenças também. Para o indivíduo é importante porque ele pode tratar uma condição de base, que seria a obesidade, e ter uma melhora nas outras doenças que ele eventualmente tenha.””

Lício Veloso também destacou que nos últimos 15 anos houve uma revolução no desenvolvimento de fármacos para tratar a obesidade. A liraglutida foi a primeira substância desse tipo, já com a patente encerrada. A semaglutida (Ozempic) é a segunda dessa geração, e existe ainda a tirzepatida (Mounjaro), de outra indústria farmacêutica.

O especialista afirmou:

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““Existem vários medicamentos em desenvolvimento que estão em fases intermediárias e finais dos testes clínicos. Isso é importante porque gera competição entre os produtores, o que certamente pode levar a uma queda de preço, mesmo considerando que são substâncias caras para serem produzidas.””

Embora a redução de preços não seja imediata, Veloso ressalta que a população será beneficiada gradativamente com o fim da patente, ampliando o acesso a tratamentos eficazes contra a obesidade e suas comorbidades.

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