Contradições na perícia do caso da PM Gisele Alves levantam suspeitas sobre suicídio

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

A perícia técnica revelou contradições na versão apresentada pelo tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Neto, sobre a morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves, de 38 anos. Gisele foi encontrada baleada dentro do apartamento do casal, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

Os laudos periciais indicam que a cena do crime pode ter sido manipulada, colocando em dúvida a hipótese de suicídio defendida por Geraldo Neto. Entre os principais pontos destacados pelos peritos estão a posição da arma, a altura da vítima e a presença de uma árvore de Natal na sala, que, segundo socorristas, impediria a visualização do corpo da forma como o tenente-coronel relatou.

Geraldo Neto afirmou que estava tomando banho quando ouviu um barulho e, ao abrir a porta do banheiro, viu a esposa caída no chão da sala, com um ferimento na cabeça. Ele alegou que a arma estava guardada em cima do guarda-roupa, no quarto. No entanto, a perícia concluiu que Gisele não teria altura suficiente para alcançar a arma onde, segundo o marido, ela era mantida.

Outro ponto considerado decisivo pelos investigadores é a árvore de Natal montada na sala do apartamento. A posição do objeto não permitiria que o tenente-coronel enxergasse a mulher caída no chão. Além disso, houve um intervalo de quase 30 minutos entre o horário em que uma vizinha afirmou ter ouvido o tiro, por volta das 7h28, e a primeira ligação feita por Geraldo Neto, registrada às 7h55. Essa primeira chamada não foi para o socorro, mas para o comandante do oficial, o que para a polícia pode indicar que o intervalo foi utilizado para alterar a cena do crime.

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Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de SP, destacou a importância das primeiras pessoas que atenderam à ocorrência para o esclarecimento do caso. Ele afirmou:

“”Eles não se intimidaram porque era um tenente coronel que estava lá, eles passaram a informação correta do que eles viram aos seus superiores.””

Após o disparo, Geraldo Neto insistiu em tomar banho, mesmo com alertas dos colegas de que isso poderia comprometer a investigação. A perícia encontrou vestígios de sangue no box do banheiro, em uma toalha e na bermuda usada por ele, o que reforça a suspeita de tentativa de eliminar provas. Com base na análise do local, nos vestígios encontrados e na trajetória do tiro, os peritos afirmam que o disparo não foi compatível com suicídio. A conclusão é de que Gisele foi segurada por trás e baleada do lado direito da cabeça, próximo à porta da varanda do apartamento.

Geraldo Neto foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual. A acusação sustenta que, além de matar a esposa, ele teria manipulado a cena do crime para simular um suicídio. Em depoimento, o tenente-coronel manteve a versão de que Gisele tirou a própria vida.

A investigação também identificou indícios de um histórico de violência doméstica, incluindo violência psicológica, moral e financeira. Mensagens obtidas pela Polícia Civil mostram que era Gisele quem manifestava o desejo de se separar, contrariando a versão apresentada pelo marido de que pretendia encerrar o relacionamento.

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O caso ganhou novos desdobramentos com denúncias de assédio sexual e moral feitas por outras policiais militares contra o tenente-coronel, que agora também são apuradas pela Corregedoria da PM. Para a família de Gisele, as conclusões da perícia e o avanço das investigações representam um passo importante. O advogado dos parentes da vítima declarou:

“”É um sentimento que ameniza um pouco a dor. Claro, não sana dor, mas é gratificante para a família que está público e notório que ele que cometeu o feminicídio em desfavor da Gisele.””

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