O maior acidente radiológico da história ocorreu em Goiânia em setembro de 1987, resultando em quatro mortes e mais de 6 mil toneladas de lixo acumulado. Uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) revelou que cerca de 10 mil pessoas residiam ou trabalhavam nas áreas próximas ao local do acidente.
Após quase 40 anos, mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), criado em 2011, que substituiu a extinta Superintendência Leide das Neves (Suleide). O órgão presta apoio à população afetada pelo césio-137.
As medidas para conter a radiação ainda são visíveis na cidade, incluindo ferros-velhos onde partes do equipamento contaminado foram desmontadas. As toneladas de lixo acumuladas durante a descontaminação, que incluem roupas e utensílios, foram enterradas em um depósito em Abadia de Goiás. Pesquisadores estimam que os riscos associados à radiação só devem desaparecer totalmente após 200 anos.
O acidente ocorreu em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores de recicláveis desmontaram parte de um aparelho de uma clínica abandonada. O equipamento foi vendido a um ferro-velho, onde mais pessoas o desmontaram. Seis dias depois, um dos proprietários viu a pedra brilhante e levou fragmentos para casa, sem saber que se tratava de material radioativo.
Maria Gabriela Ferreira, uma das vítimas, foi a primeira a suspeitar que o objeto encontrado poderia estar relacionado aos adoecimentos na região. Ela faleceu pouco mais de um mês depois, aos 37 anos, e sua sobrinha, Leide das Neves, de 6 anos, também morreu devido ao contato com o material. Outras duas mortes confirmadas foram de funcionários do ferro-velho.
O Centro de Atendimento aos Radioacidentados (Cara) é responsável pelos atendimentos às vítimas e divide os pacientes em três grupos, conforme a quantidade de radiação que receberam. O órgão continua em funcionamento, prestando assistência às vítimas diretas e indiretas do acidente.

