O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) enviará uma equipe técnica a Poços de Caldas (MG) para vistoriar o cocho localizado na Praça Getúlio Vargas, que foi parcialmente destruído pelo prefeito Paulo Ney (PSD) durante um ato que marcou o fim do uso de charretes a cavalo na cidade.
A destruição do cocho motivou um requerimento da Câmara Municipal, que cobra explicações e questiona a legalidade da intervenção. Em nota, o Iepha confirmou que o cocho está protegido por tombamento estadual, por estar inserido no perímetro do Complexo Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas, tombado pelo Estado desde 1989.
O órgão destacou que qualquer intervenção na área, incluindo reparos, deve ocorrer com a anuência prévia do instituto. A equipe técnica do Iepha será responsável por realizar uma vistoria presencial para avaliar o estado de conservação da estrutura e verificar os possíveis impactos decorrentes do ato do prefeito. Um relatório técnico será elaborado após a análise, com orientações e eventuais medidas cabíveis.
““Se a praça é tombada, tudo que está nela também é objeto de tombamento”, afirmou o professor e historiador Hugo Pontes.”
O ato de destruição ocorreu no dia 13 de março, quando o prefeito, acompanhado de ativistas da causa animal, utilizou uma marreta para quebrar parte do cocho, que servia como bebedouro para os cavalos das charretes. Após a destruição, a estrutura foi reconstruída e flores foram plantadas no local.
Os vereadores classificaram a atitude como desrespeitosa à história da cidade e aos antigos charreteiros. O requerimento apresentado pelo vereador Thiago Mafra (PT) foi aprovado por unanimidade e pede esclarecimentos sobre a legalidade da ação, questionando se houve autorização dos órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico.
A prefeitura, em nota, afirmou que não houve demolição dos cochos, alegando que a ação do prefeito foi simbólica e representou o encerramento do serviço de transporte por charretes. Segundo a administração municipal, os bebedouros foram “inutilizados” e, posteriormente, ressignificados com o plantio de flores.
A prefeitura também declarou que os cochos não fazem parte do patrimônio tombado e não são inventariados como bens culturais. O Conselho Municipal de Patrimônio (CONDEPHACT) divulgou nota técnica afirmando que a estrutura destruída não se caracterizava como bem protegido.
“A Prefeitura Municipal de Poços de Caldas esclarece que não houve demolição dos “cochos” para hidratação de equinos.”
A administração municipal reiterou seu compromisso com a transparência e a legalidade, buscando construir uma cidade mais ética e sensível ao bem-estar animal.

