Porta-voz iraniano afirma que ‘os EUA estão negociando consigo mesmos’

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um porta-voz militar iraniano declarou que ‘os Estados Unidos estão negociando consigo mesmos’ nesta quarta-feira (25). A afirmação ocorreu um dia após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que Teerã deseja um acordo com Washington para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Um plano de 15 pontos elaborado pelos EUA para pôr fim ao conflito foi enviado a Teerã, conforme informou uma fonte familiarizada com o assunto à Reuters na terça-feira. Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando unificado das forças armadas iranianas, provocou a liderança dos EUA: ‘O nível da sua luta interna chegou ao ponto de você negociar consigo mesmo?’.

Zolfaqari acrescentou: ‘Pessoas como nós nunca conseguirão se dar bem com pessoas como você’. Ele também afirmou que os investimentos dos EUA e os preços da energia anteriores à guerra não retornarão enquanto Washington não aceitar que a estabilidade regional é garantida pelas forças armadas iranianas.

O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã teve início em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. Desde então, diversas autoridades do regime iraniano também foram mortas, e os EUA alegam ter destruído dezenas de navios e alvos militares iranianos.

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Em resposta, o regime iraniano realizou ataques contra países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã, afirmando que seus alvos são apenas interesses dos EUA e de Israel. Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos EUA.

A Casa Branca registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em decorrência direta dos ataques iranianos. O conflito também se expandiu para o Líbano, onde o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, atacou Israel em retaliação à morte de Ali Khamenei, levando Israel a realizar ofensivas aéreas contra alvos do Hezbollah.

Após a morte de grande parte de sua liderança, o Irã elegeu um novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas afirmam que ele não fará mudanças estruturais e representa a continuidade da repressão. Donald Trump expressou descontentamento com essa escolha, classificando-a como um ‘grande erro’ e afirmando que Mojtaba seria ‘inaceitável’ para a liderança do Irã.

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