O tenente-coronel Geraldo Neto está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, desde quarta-feira (18). Ele é acusado de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves, em 18 de fevereiro, após um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal no Brás, no Centro da capital.
Segundo o Ministério Público (MP), Gisele queria se separar e o marido não aceitava. Neto nega as acusações e afirma que a esposa se suicidou após ele pedir o divórcio. O Romão Gomes é a única unidade prisional criada exclusivamente para abrigar agentes da Polícia Militar (PM) acusados de crimes militares.
Geraldo Neto é o primeiro oficial da Polícia Militar do estado de São Paulo preso por feminicídio desde a criação da lei em 2015. Ele também responde por fraude processual, por supostamente manipular a cena do crime para simular um suicídio.
Laudos periciais indicam que o oficial segurou a cabeça da vítima antes do disparo, afastando a hipótese de suicídio. Mensagens do celular de Neto revelam controle financeiro e tentativas de coagir Gisele, além de evidências de um padrão de violência doméstica.
O presídio já recebeu outros detentos notórios, como Mizael Bispo, Cabo Bruno e Rambo. Neto foi recebido com abraços por outro policial militar ao chegar ao local, mas a PM não comentou se essa recepção é comum.
A Justiça decretou a prisão preventiva de Neto e ele se tornou réu no processo que investiga a morte de Gisele. Se condenado, a Justiça pode fixar uma indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima.

