Governo zera imposto de 970 itens de tecnologia e mira queda de preços

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O governo federal anunciou a isenção do imposto de importação de 970 itens de bens de capital e informática. A decisão, tomada pelo Camex, visa aliviar pressões inflacionárias em setores estratégicos.

A medida foi justificada pelo fato de que os produtos não têm fabricação nacional ou são produzidos em volume insuficiente. Dentre os itens, 191 terão isenção temporária, incluindo máquinas, equipamentos industriais e componentes tecnológicos essenciais para cadeias produtivas.

Dados da Confederação Nacional da Indústria indicam que o custo de investimento produtivo no Brasil pode ser até 30% maior do que em economias comparáveis, em grande parte devido a impostos sobre equipamentos importados.

A isenção também se aplica a medicamentos para doenças crônicas, como diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia, além de insumos agrícolas e industriais. O impacto esperado é duplo: redução de custos para empresas e alívio nos preços ao consumidor final.

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A decisão ocorre em um momento de pressão global sobre cadeias produtivas, agravada pela guerra no Oriente Médio e pela alta de energia. Em fevereiro, o Camex havia elevado tarifas de itens eletrônicos, como celulares e notebooks, com arrecadação estimada entre R$ 14 bilhões e R$ 20 bilhões, mas a reação negativa do mercado levou à reversão parcial da medida.

Além da redução de tarifas, o governo implementou medidas antidumping por cinco anos contra importações de etanolamina da China e resinas plásticas dos Estados Unidos e Canadá, buscando proteger a indústria local.

A estratégia do governo reflete um equilíbrio entre abertura comercial seletiva e proteção setorial, com o Brasil tentando aumentar a competitividade industrial enquanto preserva segmentos expostos à concorrência externa.

O cenário internacional é desafiador, com cadeias logísticas pressionadas e custos de insumos em alta. Economias emergentes têm adotado reduções tarifárias pontuais para conter repasses inflacionários, como visto em países como México e Índia. No Brasil, o efeito prático dependerá da velocidade de repasse dos cortes aos preços e da capacidade da indústria de transformar insumos mais baratos em aumento de produção.

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