Guerra entre EUA, Israel e Irã avança com desafios para Trump

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que se aproxima da quinta semana, já causou devastação significativa e afetou nações do Golfo, que se consideravam seguras. O aumento do preço do petróleo trouxe incertezas à economia global, incluindo o Brasil.

Apesar das expectativas iniciais de Donald Trump, que prometeu um impacto severo nas instalações nucleares do Irã, o regime persa se mantém firme. Até o dia 26 de março, o Irã continuava a mostrar resistência, desafiando a narrativa de que estava em desvantagem.

Trump tentou ajustar sua estratégia, afirmando que Washington estava em “conversas produtivas” com Teerã, embora essa informação tenha sido repetidamente negada pelo governo iraniano. Em um esforço para estabelecer um plano de paz, Trump apresentou uma proposta de quinze pontos, que foi prontamente rejeitada pelo Irã, que declarou: “A guerra será encerrada quando assim decidirmos”.

““Ele deve estar negociando consigo mesmo”, disse Ebrahim Zolfaqari, porta-voz militar do Irã.”

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A proposta americana, mediada pelo Paquistão, incluía restrições severas ao arsenal de mísseis iranianos, o fim do programa de enriquecimento de urânio e controle internacional do Estreito de Ormuz. Em troca, as sanções contra o Irã seriam suspensas, mas os aiatolás exigiram que os EUA deixassem de interferir em milícias como Hamas e Hezbollah.

““A capacidade do Irã de provocar a desestabilização global tem sido um trunfo com o qual Trump não contava”, avaliou Mahdi Rezaei-Tazik, cientista político da Universidade de Berna.”

Embora os EUA e Israel tenham conseguido neutralizar mais de 70% dos lançadores de mísseis iranianos, a situação política e diplomática permanece complexa. Israel, por exemplo, não demonstra interesse em um término imediato da guerra, focando em desestabilizar o governo iraniano.

Recentemente, 2.000 paraquedistas americanos foram enviados ao Oriente Médio, com a Casa Branca mantendo em segredo sua localização exata. Especialistas afirmam que Trump está mantendo todas as opções abertas para decidir como declarar vitória.

““Trump deixa todas as opções em aberto para depois decidir como cantar vitória”, afirmou Louise Kettle, do think tank RUSI.”

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A prolongação do conflito tem gerado descontentamento entre os eleitores americanos, que enfrentam um aumento de 30% no preço dos combustíveis. A aprovação de Trump caiu para 36%, o menor nível de seu segundo mandato, e uma pesquisa revelou que 80% dos eleitores que o apoiaram em 2024 desejam o fim imediato da guerra.

As eleições de midterm se aproximam, e a situação se torna ainda mais desafiadora para os republicanos, que já enfrentavam dificuldades antes do conflito. Em Texas, novas pesquisas indicam que John Cornyn, um moderado, pode superar o candidato preferido da base trumpista.

Entre os apoiadores de Trump, a insatisfação cresce. Tucker Carlson, ex-Fox News, criticou a guerra, afirmando que Trump havia prometido não se envolver em conflitos externos. Outros, como Megyn Kelly e Joe Rogan, também expressaram descontentamento.

O vice-presidente JD Vance, contrário à guerra, tem evitado comentar sobre o assunto, ciente de que qualquer apoio ao conflito pode prejudicar suas ambições políticas. O tema Irã deve ser central na próxima CPAC, conferência da extrema direita.

A situação sugere que o conflito pode ter repercussões políticas mais próximas de casa do que Trump imaginou.

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