Fóssil no Egito revela ancestral comum entre humanos e macacos

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

No sítio arqueológico de Wadi Moghra, no Egito, pesquisadores identificaram um fóssil de um macaco do tipo símio, sem cauda, que representa um avanço significativo na pesquisa sobre a origem da humanidade. A nova espécie foi nomeada Masripithecus moghraensis e data de 17 a 18 milhões de anos atrás.

A descoberta coloca o norte da África e o Oriente Médio como centros da discussão sobre a evolução dos hominídeos, revelando um novo ancestral comum entre humanos e macacos. Hesham Sallam, paleontólogo da Universidade de Mansoura e autor do estudo publicado na revista Science, declarou: “Passamos cinco anos procurando por esse tipo de fóssil porque, quando olhamos de perto para a árvore genealógica dos primeiros símios, fica claro que algo está faltando — e o Norte da África detém essa peça que faltava”.

Embora fósseis de macacos já tenham sido encontrados na região, nenhum deles era do tipo símio, que inclui chimpanzés e orangotangos, considerados os mais próximos dos humanos. Acreditava-se que os ancestrais dos símios estivessem restritos a regiões mais ao sul do continente, enquanto outras espécies mais novas estavam localizadas na Ásia e na Europa, com origens incertas.

A nova descoberta do Masripithecus não apenas confirma a presença de símios na região durante esse período, mas também destaca uma distinção em relação a outras espécies contemporâneas na África Oriental. O nome do gênero, Masripithecus, combina a palavra árabe para Egito, Masr (مصر), com o grego píthēkos, que significa macaco ou símio. A designação da espécie, moghraensis, refere-se ao sítio arqueológico onde os restos foram encontrados.

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O fóssil consiste em parte da mandíbula inferior, que preserva uma combinação única de características. Os caninos e pré-molares são grandes, os molares possuem superfícies de mastigação arredondadas e texturizadas, e a mandíbula é robusta. Shorouq Al-Ashqar, pesquisadora do Centro de Paleontologia de Vertebrados da Universidade de Mansoura e primeira autora do estudo, explicou: “Juntos, eles sugerem que o Masripithecus era adaptado para a versatilidade”.

O estudo sugere que a anatomia de mastigação do Masripithecus indica uma dieta flexível, predominantemente frutífera, mas capaz de processar alimentos mais duros, como nozes e sementes, quando necessário. Essa adaptabilidade pode ter contribuído para a sobrevivência da espécie em um período de mudanças climáticas que resultaram em sazonalidade mais acentuada no norte da África e na Arábia.

Os pesquisadores compararam evidências anatômicas de símios vivos e extintos e descobriram que o Masripithecus é o parente mais próximo dos símios vivos em comparação com qualquer espécie conhecida do início do Mioceno. Análises biogeográficas indicam que o norte da África e o Oriente Médio são os locais de origem mais prováveis do ancestral comum de todos os símios vivos, que existiram no início do Mioceno.

Durante esse período, as placas tectônicas africana e arábica estavam em fase final de colisão com a Ásia, enquanto mudanças nos níveis do mar permitiram a dispersão animal para outros continentes. Isso posiciona o Masripithecus como um elo intermediário entre fósseis da África e da Eurásia, que antes eram considerados desconectados. Erik Seiffert, paleontólogo da Universidade do Sul da Califórnia e coautor do estudo, afirmou: “Durante toda a minha carreira, considerei provável que o ancestral comum de todos os símios vivos tivesse vivido dentro ou ao redor da África Oriental. Mas esta nova descoberta, e nossas novas e inovadoras análises da filogenia e biogeografia dos hominoides, agora desafiam fortemente essa ideia.”

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