Cessar-fogo ou invasão terrestre? EUA enfrentam dilemas no conflito com o Irã

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completa um mês neste 28 de março. A guerra teve início em 28 de fevereiro, quando Israel e EUA lançaram um grande ataque que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei.

A ofensiva desencadeou uma série de hostilidades que se espalharam por outros países do Oriente Médio. Atualmente, o conflito avança com duas possibilidades: a negociação de um cessar-fogo ou uma invasão terrestre do Irã.

A guerra começou em meio a negociações entre EUA e Irã para limitar o alcance dos mísseis iranianos e encerrar o programa nuclear do país. Washington alega que Teerã estava próximo de desenvolver uma arma nuclear e um míssil capaz de atingir os americanos.

Os ataques de Israel e dos EUA focaram em infraestruturas militares e em autoridades iranianas de alto escalão. O Irã, por sua vez, acusou os rivais de atingirem alvos civis, como uma escola no sul do país, onde 175 pessoas, incluindo crianças, morreram.

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Teerã respondeu lançando mísseis contra alvos israelenses e bases militares americanas no Oriente Médio, ampliando o conflito para países como Catar, Arábia Saudita e Kuwait. Também houve troca de ataques a infraestruturas energéticas, com Israel atingindo um campo de gás iraniano e o Irã lançando mísseis contra refinarias de petróleo ligadas aos EUA.

O conflito teve um forte impacto na economia global, especialmente pela alta do petróleo. O Irã fechou parte do Estreito de Ormuz, onde passa cerca de um quinto da exportação mundial, fazendo o barril superar os US$ 100, o maior valor em quase quatro anos.

Diante da pressão do mercado, a Casa Branca indicou que o conflito seria breve, com duração máxima de seis semanas. O presidente Donald Trump afirmou em 20 de março que os EUA estavam próximos de atingir seus objetivos na guerra.

Na última semana, os EUA enviaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar o conflito. Ao mesmo tempo, a imprensa americana informou que o Departamento de Defesa planeja enviar mais militares ao Oriente Médio, considerando uma possível operação terrestre.

“”Uma possível operação terrestre pode abrir caminho para um conflito mais longo, com mais mortes e maior impacto econômico”, disse Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais.”

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O governo Trump avalia a possibilidade de iniciar uma operação terrestre no Irã, com uma das hipóteses sendo a ocupação da ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. Outra possibilidade é o envio de soldados para a costa iraniana, visando garantir a segurança do Estreito de Ormuz.

Na quinta-feira (26), o jornal The Wall Street Journal informou que o governo Trump considerava enviar mais 10 mil soldados para atuar como forças terrestres na região, somando-se aos cerca de 50 mil militares já posicionados no Oriente Médio.

As movimentações ocorrem enquanto Trump afirma que negociações com o Irã estão em andamento. Uriã Fancelli observa que o presidente adota uma estratégia de acenar para a diplomacia enquanto prepara um avanço militar.

Os Estados Unidos e o Irã apresentaram propostas com condições diferentes para encerrar a guerra. O enviado americano, Steve Witkoff, confirmou que a Casa Branca enviou um plano com 15 pontos a Teerã, incluindo compromissos sobre armas nucleares e mísseis.

O Irã rejeitou publicamente o plano, classificando-o como “excessivo e desconectado da realidade” e enviou uma contraproposta com cinco condições, incluindo a interrupção total da agressão e ressarcimento por danos causados durante o conflito.

Donald Trump, ao longo das últimas semanas, afirmou que o Irã deseja um acordo e que as conversas estão em andamento. Ele anunciou o adiamento de possíveis ataques contra usinas de energia iranianas e ampliou o prazo para um acordo até 6 de abril, visto como um ultimato para o Irã.

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