Os rebeldes huthis do Iêmen entraram oficialmente no conflito do Oriente Médio ao lançarem mísseis balísticos contra alvos militares em Israel neste sábado, 28 de março de 2026. Este ataque marca a primeira operação do grupo aliado do Irã desde o início da guerra, que começou em 28 de fevereiro, após os Estados Unidos e Israel atacarem o território iraniano e matarem o líder supremo Ali Khamenei.
Um porta-voz huthi confirmou o ataque em um vídeo divulgado na rede social X, classificando a ofensiva como a “primeira operação” do grupo contra Israel. O Exército israelense anunciou a interceptação dos mísseis, sem registrar vítimas ou danos no território.
Até o momento, os huthis haviam se mantido à margem do conflito, apesar de serem parte do “eixo da resistência”, uma rede de movimentos armados financiados e apoiados pelo Irã. A mudança de postura dos huthis representa uma escalada significativa, com potencial para ampliar o alcance geográfico da guerra e complicar ainda mais a situação econômica global.
A entrada dos huthis no conflito gera um alerta imediato para a navegação no Mar Vermelho, uma rota utilizada pela Arábia Saudita para escoar petróleo pelo porto de Yanbu, como alternativa ao Estreito de Ormuz, que é controlado pelo Irã e anteriormente era responsável por 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos. Durante o conflito entre Israel e Hamas em Gaza, entre 2023 e 2025, os huthis já haviam realizado ataques a navios comerciais nessa rota.
A retomada dessa prática pode agravar a crise de abastecimento e pressionar ainda mais os preços do petróleo e do gás, que já estão elevados desde o início das hostilidades. O conflito continua a se espalhar pela região, com o Irã reivindicando um ataque a um navio logístico americano próximo ao porto de Salalah, em Omã.
Relatos indicam ofensivas contra aeroportos no Kuwait e em Erbil, no Curdistão iraquiano, além de mísseis e drones disparados contra uma zona industrial nos Emirados Árabes. Enquanto isso, Israel prossegue com bombardeios ao território iraniano, incluindo centrais nucleares e a principal siderúrgica do país, a Khuzestan Steel.
No campo diplomático, o enviado especial americano Steve Witkoff expressou acreditar que o Irã aceitará negociar “esta semana”. Washington aguarda uma resposta de Teerã a um plano de paz de 15 pontos. Além disso, Paquistão, Turquia, Arábia Saudita e Egito estão articulando mediações em Islamabad nos próximos dias, em uma corrida contra o tempo para conter um conflito que já ameaça desestabilizar a economia global.

