Estudos recentes indicam que pausas regulares são fundamentais para a capacidade do cérebro de processar informações. Com os americanos consumindo mais de 12 horas de mídia diariamente, a quantidade de conteúdo digital, que inclui vídeos e podcasts, representa dois terços desse total.
A pesquisa sugere que o cérebro precisa de momentos de descanso para digerir adequadamente o que foi consumido. Erin Wamsley, neurocientista cognitiva da Furman University, explica que estados de ‘offline’ permitem que o cérebro revisite e processe experiências recentes. ‘As pessoas geralmente não estão cientes de que seu cérebro está fazendo algo muito importante quando não estão fazendo nada’, afirma Wamsley.
Michael Craig, professor assistente e pesquisador de memória na Northumbria University, destaca que a era digital pode ter afastado as pessoas dos períodos naturais de descanso que ajudam na consolidação de novas memórias. Ele explica que a consolidação não se refere apenas à lembrança de fatos, mas à integração de novas informações em memórias existentes.
Craig e sua equipe descobriram que, após um aprendizado, aqueles que descansaram por 10 minutos tiveram uma memória significativamente melhor em comparação a um grupo que não fez pausas. ‘Nossas atividades diárias ajudam a determinar o destino das novas memórias’, diz Craig.
Além disso, a pesquisa revelou um ‘viés de recência’, onde informações mais recentes tendem a ser priorizadas na memória. Brad Pfeiffer, neurocientista da University of Texas Southwestern Medical School, alerta que se uma pessoa costuma acessar redes sociais após estudar, pode acabar retendo mais informações dessas plataformas do que do conteúdo que realmente estudou.
Embora a pesquisa sugira que pausas cognitivas, especialmente após aprender algo importante, são benéficas, ainda não está claro quanto tempo de descanso é ideal. Estudos indicam que 10 a 20 minutos de solitude podem melhorar a memória, mas micro pausas de alguns minutos ou até segundos também podem ser eficazes.
Wamsley observa que atividades rotineiras que não exigem muito esforço mental, como dobrar roupas ou caminhar, podem fornecer o descanso necessário para a consolidação da memória. Ela ressalta que dar uma pausa não significa apenas evitar conteúdo estimulante, mas também evitar tarefas mentais que as pessoas realizam em seu tempo livre.
Craig complementa que a cultura de trabalho 24/7, onde as pessoas estão sempre ocupadas, pode ter um efeito prejudicial na aprendizagem e na memória. ‘Às vezes, menos é mais’, conclui.

