Um grupo de mulheres no Acre organiza encontros em um espaço chamado Recanto Amorim para acolher vítimas de violência de gênero. A proposta busca oferecer um ambiente seguro para compartilhar experiências e fortalecer aquelas que já enfrentaram diferentes formas de agressões.
A idealizadora do projeto, Belívan Amorim, explica que a iniciativa nasceu da necessidade de criar uma rede de apoio para mulheres que muitas vezes vivem a violência em silêncio. Segundo ela, essas mulheres são frequentemente vistas apenas como objetos e dedicam suas vidas às obrigações diárias, sem tempo para si mesmas.
““A mulher tem que ser vista como ser capaz de construir, reconstruir, por mais que, muitas vezes, seja comparada com uma toalha cheia de retalhos, mas também que pode ser uma estampa colorida, renovada e capaz de construir muitas as coisas”, disse.”
Os encontros têm como objetivo proporcionar um espaço onde cada mulher possa se sentir à vontade. O tema da última edição abordou trajes com estampas que contam histórias, simbolizando recomeços e liberdade. Luci de Almeida, uma das organizadoras, destaca que o ambiente exclusivo para mulheres ajuda a criar confiança e apoio entre elas.
““Nosso grupo está ajudando muitas mulheres a poder se abrir, conversar, se expor, porque tem muitas que sofrem violência calada e o nosso grupo ajuda bastante”, afirmou.”
Belívan também menciona que, antes do fim de cada encontro, as participantes já demonstram interesse em saber sobre os próximos eventos. “Vejo que se, às vezes, chegam cabisbaixas acabam entrando no embalo da festa e vejo que o semblante muda, tanto no olhar como no seu modo de pensar”, detalhou.
Em um contexto de aumento dos casos de feminicídio, o governo federal sancionou, em outubro de 2024, uma lei que endurece as penas para esse crime, elevando a punição para 20 a 40 anos de prisão em casos com agravantes.
A Polícia Militar do Acre disponibiliza números para denúncias de violência contra a mulher, incluindo o telefone (68) 99609-3901. Além disso, a população pode recorrer ao Disque 100 para denúncias anônimas de violações de direitos humanos.

