A Batalha de Gigantes pela Vice de Daniel Vilela em Goiás

Fernando Alcântara Mendonça
Tempo: 6 min.
Gustavo Mendanha - PSD - Alta popularidade na Região Metropolitana

A política goiana atingiu uma nova temperatura neste fim de março de 2026. O que antes parecia uma disputa restrita aos quadros do PSD, agora se desenha como uma verdadeira “guerra de estratégias” envolvendo diferentes forças da base aliada.

A filiação do ex-senador Luiz do Carmo ao PSD, sob as bênçãos do governador Ronaldo Caiado, e a recente movimentação do presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, assumindo o comando estadual do União Brasil, transformaram a vaga de vice na chapa de Daniel Vilela (MDB) no posto mais cobiçado — e complexo — do estado.

A escolha do vice deixou de ser um mero preenchimento de protocolo para se tornar a definição da identidade da chapa. Daniel Vilela precisará decidir, junto a Caiado, qual peça garante a vitória mais segura e a governabilidade mais estável.

Abaixo, detalhamos o perfil dos quatro protagonistas dessa disputa e o que cada um coloca na mesa de negociações.

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Os 4 Protagonistas do Jogo Sucessório

1. Bruno Peixoto (União Brasil): O Articulador Político

  • Quem é: Atual presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e recém-empossado presidente do União Brasil no estado, com o aval da direção nacional.
  • Perfil Biográfico: Advogado e político de carreira sólida no legislativo, Peixoto construiu uma base impressionante entre prefeitos e vereadores. Sua gestão na Alego é marcada por articulação fluida e poucas crises com o Executivo.
  • O Trunfo: É o favorito da classe política. Deputados aliados apostam que sua presença na vice garante o engajamento maciço de prefeitos do interior.
  • O Desafio: O dilema partidário. Peixoto precisa decidir se arrisca tudo na disputa pela vice ou se lidera a chapa de deputados federais do União Brasil para garantir fundo partidário.

2. Gustavo Mendanha (PSD): O Fenômeno das Urnas

  • Quem é: Ex-prefeito de Aparecida de Goiânia por dois mandatos e principal adversário de Ronaldo Caiado nas eleições de 2022. Hoje, reincorporado à base governista.
  • Perfil Biográfico: Herdou o capital político do pai, Léo Mendanha. Sua gestão em Aparecida foi marcada por forte aprovação popular, foco em tecnologia e atração de investimentos.
  • O Trunfo: Tem o maior capital eleitoral direto e recall entre os postulantes. É a “vacina” perfeita contra o avanço da oposição na Região Metropolitana.
  • O Desafio: Seu próprio tamanho político. Setores aliados temem que um vice com tanta popularidade possa ofuscar o governador.

3. Luiz do Carmo (PSD): O Fiel da Balança Conservadora

  • Quem é: Ex-senador da República e recém-filiado ao PSD. Liderança laica respeitada do segmento evangélico em Goiás, especialmente ligado à Assembleia de Deus.
  • Perfil Biográfico: Empresário e irmão do influente bispo Oídes do Carmo. É conhecido por sua atuação discreta nos bastidores e defesa ferrenha das pautas conservadoras.
  • O Trunfo: Traz o cobiçado “voto de opinião” e assegura o apoio do eleitorado evangélico. Atua como “via de consenso”: se os outros pré-candidatos entrarem em atrito, ele pacifica a chapa.
  • O Desafio: Tendo ficado sem mandato nos últimos anos, precisa rodar o estado para reconstruir sua imagem pública fora do seu nicho religioso.

4. José Mário Schreiner (PSD): A Força do Agronegócio

  • Quem é: Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e ex-deputado federal.
  • Perfil Biográfico: Agrônomo e produtor rural, é a voz do campo na política goiana e possui uma relação de confiança absoluta com o governador Ronaldo Caiado.
  • O Trunfo: Representa o PIB do estado. Garante o apoio financeiro e estrutural do agronegócio, com capilaridade em todos os 246 municípios através dos sindicatos rurais.
  • O Desafio: Seu perfil técnico limita seu apelo popular de massa, especialmente nas periferias dos grandes centros urbanos.

Comparativo: O Peso de Cada Pré-Candidato

Nome Partido Principal Trunfo para a Chapa Maior Obstáculo
Bruno Peixoto União Brasil Máquina política e apoio de prefeitos e deputados Dividir foco com a chapa de deputados federais
Gustavo Mendanha PSD Alta popularidade na Região Metropolitana Risco de “sombrear” o titular da chapa
Luiz do Carmo PSD Apoio do eleitorado evangélico e posição de consenso Menor recall popular fora do segmento no momento
José Mário Schreiner PSD Sustentação econômica e lealdade do agronegócio Perfil técnico com menor apelo nas massas urbanas

Análise Estratégica: O Veredito Dependerá do Clima da Eleição

A decisão final está nas mãos de Daniel Vilela, mas a batuta que rege a orquestra continua sendo de Ronaldo Caiado. Ao abrigar Mendanha, Schreiner e Luiz do Carmo no PSD, e ao dar aval para Peixoto comandar o União Brasil, o atual governador garante que nenhum desses pesos-pesados migre para a oposição.

O critério de escolha dependerá do cenário nacional e estadual em 2026:

Se a oposição ameaçar com um nome forte na capital e no entorno, Mendanha torna-se essencial.

Se o jogo exigir forte articulação interna para esmagar a concorrência no interior, Bruno Peixoto é a escolha.

Se a eleição for polarizada por debates de costumes, Luiz do Carmo será o escudo perfeito.

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Se a prioridade for a manutenção da estabilidade do PIB goiano, Schreiner será o vice.

O relógio já está correndo e, nas rodovias goianas, a campanha pela vice já começou.

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