O petróleo encerrou o mês de março de 2026 com a maior alta em décadas, impulsionado pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota que transporta cerca de um quinto de toda a energia consumida no mundo.
O barril do tipo Brent terminou o período próximo de US$ 118, acumulando uma valorização superior a 60% no mês, um aumento que não era observado desde grandes choques históricos do setor.
A disparada ocorreu após Teerã bloquear o estreito em resposta a ataques realizados por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, desencadeando uma crise energética global com impactos imediatos sobre a inflação, mercados financeiros e cadeias de abastecimento.
O bloqueio do Estreito de Ormuz retirou do mercado cerca de 300 milhões de barris de petróleo, volume equivalente a quase três dias de consumo mundial. Países do Golfo reduziram drasticamente sua produção, enquanto refinarias na Ásia operam com capacidade limitada diante da escassez.
Os preços dos derivados também foram afetados: os preços de diesel e querosene de aviação praticamente dobraram desde o início do ano, ampliando o impacto sobre transporte, indústria e alimentos.
Analistas apontam que a magnitude da disrupção supera, em escala, o choque causado pela guerra na Ucrânia em 2022.
A alta do petróleo contaminou os mercados globais ao longo de março. As bolsas registraram forte volatilidade, enquanto investidores passaram a exigir juros mais altos diante da perspectiva de inflação persistente.
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão, pressionando o custo de vida e ampliando os desafios econômicos para o governo de Donald Trump.
Economistas já falam em risco de estagflação, um cenário de crescimento fraco combinado com inflação elevada, semelhante ao observado após a crise do petróleo nos anos 1970.
O conflito no Irã segue sem solução clara e com risco de expansão. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que as operações militares podem durar semanas e não descartou uma ampliação da presença americana na região.
Recentes ataques reforçam a instabilidade: um drone iraniano atingiu um petroleiro próximo a Dubai, enquanto rebeldes houthis lançaram mísseis contra Israel, elevando o risco também no Mar Vermelho, rota alternativa para o transporte de petróleo.
Em meio à crise, Donald Trump tem adotado um discurso duro, pressionando aliados a garantir seu próprio abastecimento energético e defendendo maior protagonismo dos EUA no mercado global de energia.
Analistas avaliam que a imprevisibilidade da resposta americana contribui para a volatilidade dos preços e aumenta a incerteza entre investidores.
Medidas emergenciais, como a liberação de reservas estratégicas, tiveram efeito limitado até agora. Projeções de bancos indicam que o petróleo deve permanecer acima de US$ 100 nos próximos meses, com risco de novas altas caso o conflito se prolongue.
Março termina como um marco: o mês em que a guerra no Irã reconfigurou o equilíbrio energético global e reacendeu o temor de uma crise econômica mais ampla.

