Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) descobriram uma nova espécie de fungo zumbi em aranhas durante um estudo realizado em uma área de Mata Atlântica dentro do campus, em Minas Gerais. A nova espécie, chamada Gibellula mineira, foi encontrada em um fragmento urbano próximo a uma cidade de 80 mil habitantes.
A descoberta é parte da dissertação de mestrado de Aline dos Santos, orientada pela Dra. Thairine Mendes Pereira e pelo professor Thiago Gechel Kloss. O estudo inicialmente buscava avaliar alterações comportamentais em aranhas.
Identificar a aranha hospedeira foi um dos principais desafios da equipe, uma vez que o fungo cobre quase todo o corpo do animal durante o parasitismo. O professor Kloss explica: “A solução veio por meio de uma busca intensa por indivíduos em estágios iniciais de crescimento da colônia do fungo, quando ainda é possível ver a morfologia da aranha”.
Com o apoio do Instituto Butantan, a aranha hospedeira foi identificada como Iguarima censoria. A confirmação da nova espécie de fungo foi realizada através de análises de DNA e comparações morfológicas com outras espécies conhecidas do gênero Gibellula.
A pesquisa revelou que o fungo provoca mudanças drásticas no comportamento das aranhas. Enquanto aranhas saudáveis costumam ficar na face superior das folhas, as infectadas são levadas a morrer na face inferior, em locais mais altos e com menor luminosidade. Kloss comenta: “Nossa interpretação inicial é que a morte em posições mais altas favorece a dispersão dos esporos, enquanto a escolha de locais menos iluminados pode reduzir a desidratação do fungo”.
Além disso, experimentos mostraram que a face inferior das folhas protege os esporos da chuva, garantindo que o fungo permaneça viável por mais tempo. A descoberta ocorreu na “Mata da Biologia”, uma área de 75 hectares dentro da universidade, destacando que pequenos fragmentos florestais em áreas urbanas podem revelar novas espécies para a ciência.
O próximo passo dos pesquisadores é entender como o fungo manipula o sistema fisiológico da aranha. O professor Kloss acredita que novas espécies serão descobertas nos próximos anos nesse fragmento de Mata Atlântica.

