ONU vota resolução sobre uso de força no Estreito de Ormuz; China, Rússia e França se opõem

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Conselho de Segurança da ONU deve votar uma resolução proposta pelo Bahrein para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A votação, inicialmente marcada para sexta-feira, foi remarcada para a manhã de sábado devido ao feriado na ONU.

China, Rússia e França, que possuem poder de veto, se opõem à autorização de qualquer uso da força, o que levanta dúvidas sobre a aprovação do texto. Esses países frustraram os esforços dos Estados árabes para obter um aval para uma ação militar contra o Irã, rejeitando qualquer linguagem que permita o uso da força para reabrir a rota marítima.

Os preços do petróleo dispararam desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro, desencadeando um conflito que já dura mais de um mês e praticamente fechou a principal rota de navegação da região. O Bahrein, atual presidente do Conselho, finalizou um projeto de resolução que autorizaria “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial por pelo menos seis meses.

O enviado da China à ONU, Fu Cong, afirmou que a autorização do uso da força “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e levaria a uma escalada com “graves consequências”. A proposta enfrenta forte resistência, e uma versão anterior do texto teve o chamado “procedimento de silêncio” quebrado por China, França e Rússia, indicando oposição.

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O impasse ocorre após semanas de negociações a portas fechadas. O ponto central da discórdia é um trecho que autoriza países a usar “todos os meios necessários” para garantir a passagem e impedir tentativas de bloqueio do estreito. Uma resolução do Conselho de Segurança precisa de pelo menos nove votos favoráveis e não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes.

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, afirmou que a “tentativa ilegal e injustificada” do Irã de controlar a navegação ameaça interesses globais e exige uma “resposta decisiva”. O Irã indicou que pretende manter a supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz, mesmo após o fim da guerra.

O bloqueio da via, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, já provocou impactos significativos na economia global, elevando custos de energia, transporte e seguros. A união dos países árabes contra Teerã no Conselho de Segurança representa uma deterioração das relações regionais, após anos de tentativas de aproximação diplomática.

Analistas avaliam que a resolução liderada pelo Bahrein tem mais peso simbólico do que prático, já que os países do Golfo têm capacidade militar limitada e dependem fortemente do apoio dos Estados Unidos. O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou a ideia de reabrir o estreito pela força, classificando a proposta como “irrealista” e alertando para os riscos de ataques e a presença de mísseis e forças da Guarda Revolucionária iraniana na região.

Enquanto isso, os Estados Unidos afirmam que continuarão os ataques, mas ainda não apresentaram um plano claro para reabrir o estreito, o que tem alimentado novas altas nos preços do petróleo e preocupações sobre a segurança da navegação internacional.

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