Juan López, um atleta de 82 anos, tem atraído a atenção de pesquisadores por ter uma idade metabólica equivalente à de uma pessoa de 20 anos. Ele começou a correr aos 66 anos em Toledo, na Espanha, e desde então tem batido diversos recordes nas categorias de ultradistância.
Apesar de cuidar da esposa doente, López treina seis vezes por semana, dedicando entre duas horas e duas horas e meia por sessão. Ele relata: “Ocupo todas as manhãs arrumando o café da manhã, as compras, enfim, as coisas de casa. E, à tarde, quando deixo minha mulher, Mari, quietinha no sofá, posso ir treinar.” Aos domingos, ele corre com um grupo de colegas, percorrendo longas distâncias enquanto conversam.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Castela-La Mancha decidiu estudar López, que possui músculos altamente eficientes em nível cardiorrespiratório. O médico Julián Alcázar explica que a eficiência de seus músculos em usar oxigênio para produzir força é notável. Embora a sorte tenha desempenhado um papel em sua saúde, a tenacidade e a inovação são vistas como fundamentais para sua longevidade.
López começou sua vida com automóveis, tornando-se um mecânico de sucesso. Ele construiu um carro de corrida para participar de competições de autocross. Alcázar sugere que seu estilo de vida ativo pode ter contribuído para sua boa saúde ao longo da vida, permitindo que ele começasse a correr mais tarde.
Após se aposentar, ele decidiu cumprir uma promessa de fazer o Caminho de Santiago com um primo. Isso o levou a correr, incentivado por sua filha, que sugeriu que ele começasse a treinar. “Comecei, passava um minuto e não aguentava”, lembra. Com o tempo, ele se juntou a um grupo de corredores e começou a competir.
Em 2025, López estabeleceu um novo recorde mundial na categoria de 50 km para maiores de 80 anos, completando a prova em 4:47:39, quase 49 minutos a menos que o recorde anterior. Alcázar destaca que o sucesso de López se deve à sua capacidade de utilizar oxigênio de forma eficiente.
Embora tenha reduzido a quantidade de competições devido à saúde da esposa, López mantém um treinamento rigoroso. Ele afirma: “Não gosto da palavra ‘velho’ porque velho é algo que não serve mais. E ainda me sinto capaz de fazer muito.” Alcázar ressalta a importância de manter um regime de exercícios ao longo do tempo.
A chegada de López aos laboratórios da Universidade de Castela-La Mancha foi uma surpresa para os pesquisadores, que estudam seu caso há três anos. Eles buscam entender melhor os efeitos do exercício na longevidade e as possibilidades de superação em idades avançadas.

