Onde estão os restos do Césio-137?

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Após 38 anos do acidente radiológico em Goiânia, muitos ainda se perguntam sobre a localização dos restos do Césio-137. O acidente, ocorrido em 13 de setembro de 1987, resultou em quatro mortes e mais de mil pessoas afetadas, além de gerar 6 mil toneladas de lixo radioativo.

Esses resíduos foram acumulados durante os trabalhos de descontaminação, que incluíram roupas, utensílios domésticos e materiais de construção. Os rejeitos foram levados para depósitos em Abadia de Goiás, a pouco mais de 20 km da capital, onde foram enterrados e concretados.

Para se ter uma ideia do potencial de contaminação, as 6 mil toneladas de resíduos resultaram de apenas 19 gramas do material que estavam dentro do cabeçote de chumbo do aparelho que causou o acidente.

Os rejeitos radioativos estão em uma área de 32 alqueires (cerca de 1.548 metros quadrados) dentro do Parque Estadual Telma Otergal, às margens da BR-060. No local, foi construído o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

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O CRCN-CO abriga dois depósitos: um com 40% do total de rejeitos, considerada a parcela menos radioativa, e outro com 60% dos rejeitos, efetivamente radioativos, onde estão os restos da fonte principal que originou o acidente.

A função do CRCN-CO é monitorar os resíduos do césio e promover pesquisas na área ambiental ligadas à radioatividade. A tragédia do Césio-137 deixou marcas profundas na cidade, que, segundo a pesquisadora Célia Helena Vasconcelos, tem tentado apagar a memória do desastre.

““Rodei Goiânia inteira e não encontrei praticamente nada. Nem placas, nem memoriais, nem referências nos locais onde tudo aconteceu”, relatou Célia Helena.”

Ela observou que a antiga Rua 57-A, no Setor Central, passou a se chamar Rua Paulo Henrique de Andrade, enquanto a Rua 26-A, onde ficava o ferro-velho de Devair, um dos principais pontos da contaminação, foi renomeada para Rua Francisca da Costa Cunha (Tita). Essas mudanças contribuem para o silenciamento da história, já que o acidente está associado às denominações antigas, que deixam de ser reconhecidas com o tempo.

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