Estudo revela que rios do Amazonas se tornaram rotas do tráfico e aumentam a violência

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um estudo divulgado em março, intitulado “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira”, do projeto Amazônia 2030, aponta que o avanço do tráfico de drogas pelos rios está impulsionando a violência no interior do Amazonas.

O relatório revela que a presença de facções criminosas chega a 45% das cidades da Amazônia. As hidrovias amazônicas passaram a ser utilizadas como rotas estratégicas para o tráfico internacional de cocaína, ligando países produtores à capital Manaus, que serve como ponto de distribuição para outras regiões do Brasil e do exterior.

De acordo com o estudo, essa mudança começou nos anos 2000, quando ações de combate ao tráfico aéreo tornaram esse tipo de transporte mais caro. Como resultado, organizações criminosas migraram para as rotas fluviais, expandindo o tráfico para áreas antes isoladas.

O crescimento da violência se intensificou a partir de 2010, especialmente nos estados do Amazonas e do Acre. “A partir de 2010, esse processo parece ter intensificado ainda mais e avançado para áreas até então pouco afetadas”, destaca o relatório.

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Além do tráfico, a violência está associada a diversas atividades ilegais, como grilagem de terras, exploração ilegal de madeira e mineração de ouro. Municípios como Lábrea, São Gabriel da Cachoeira, Japurá, Barcelos e Canutama apresentam risco acumulado, concentrando mais de um desses problemas, o que aumenta a vulnerabilidade à violência.

O estudo também aponta que, desde meados da década de 2010, facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) ampliaram sua presença na região. A disputa por rotas e territórios intensificou os conflitos, especialmente em cidades menores próximas a áreas de atividades ilegais.

Com a mudança no perfil da violência, que antes estava mais ligada à disputa por terra e recursos naturais, agora está conectada a redes do crime organizado, com atuação internacional. Diante desse cenário, os pesquisadores alertam que medidas tradicionais, como fiscalização ambiental e regularização fundiária, já não são suficientes.

O estudo sugere a necessidade de integrar ações de segurança pública, controle do território e combate ao crime organizado. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas foi contatada para comentar sobre as medidas adotadas para enfrentar o avanço das facções e do tráfico de drogas no estado, especialmente em municípios do interior e comunidades ribeirinhas em situação de vulnerabilidade.

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