Técnico do Real Madrid defende Espanha após cânticos islamofóbicos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O técnico do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, saiu em defesa da Espanha nesta sexta-feira, 3, após os insultos islamofóbicos de torcedores espanhóis durante o amistoso entre a seleção espanhola e o Egito, realizado três dias atrás em Barcelona.

Para Arbeloa, o país não deve ser julgado pelos atos de uma minoria. “A Espanha não é um país racista. Se fosse, teríamos incidentes todos os fins de semana em todos os estádios”, afirmou o treinador em entrevista coletiva na véspera do confronto do Real Madrid contra o Mallorca pelo Campeonato Espanhol.

“Somos um país muito tolerante e não devemos generalizar quando esse tipo de incidente acontece”, completou.

O treinador foi categórico ao rejeitar qualquer forma de comportamento discriminatório. “A nossa posição permanece a mesma: devemos erradicar todas as formas de comportamento racista nos estádios e na sociedade. Devemos continuar lutando com a mesma força para garantir que esses atos nunca mais se repitam, nem em campo, nem na sociedade”, disse Arbeloa.

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As declarações do técnico vieram em resposta ao episódio ocorrido no Estádio Cornellà-El Prat, onde torcedores entoaram o cântico “quem não pula é muçulmano” e vaiaram o hino egípcio. O incidente gerou forte repercussão dentro da seleção espanhola, incluindo entre Lamine Yamal, astro do Barcelona, que estava em campo no momento e ficou visivelmente constrangido.

A repercussão foi além dos gramados. Na quarta-feira, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, criticou a “minoria” de torcedores que, segundo ele, “mancharam” a imagem do país. A polícia regional catalã abriu uma investigação sobre os acontecimentos.

O episódio não é isolado. O futebol espanhol tem sido palco recorrente de incidentes racistas nos últimos anos — o atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, já relatou publicamente diversas situações semelhantes.

O momento é delicado para a Espanha também do ponto de vista institucional, já que o país sediará a Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal e Marrocos, com jogos ainda na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Segundo a imprensa espanhola, episódios como este podem influenciar as decisões da Fifa sobre a organização do torneio, incluindo a possibilidade de a final ser transferida para o Marrocos.

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