Uma megaoperação do Ibama, iniciada há 10 dias, combate o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. O problema se agravou nos últimos anos na região, onde dezenas de barracas formam um acampamento para a extração ilegal de ouro.
Os agentes do Ibama têm destruído máquinas, barracas e freezers utilizados pelos garimpeiros. “A gente acabou de realizar a destruição de dois freezers para aquele lado, que ele vai longe”, afirmou um dos agentes. Durante as ações, foram encontrados materiais escondidos em buracos camuflados na terra, incluindo armamentos, maquinários, alimentos e bebidas.
A cotação do ouro, que vem batendo recordes no mercado internacional, subiu 60% no ano passado. Nos últimos três anos, a fiscalização desmontou cerca de 1 mil acampamentos ilegais na região e destruiu aproximadamente R$ 700 milhões em equipamentos, incluindo mais de 500 escavadeiras. Além disso, 4.200 hectares da Terra Indígena Sararé já foram devastados.
Uma nova operação para retirar os garimpeiros começou na semana passada, com a chegada de centenas de agentes de órgãos federais à região. Até o momento, 67 pessoas foram presas na megaoperação. O desafio permanece em impedir que as quadrilhas retornem ou invadam outras áreas.
“”Nós estamos usando ferramentas de inteligência pra detectar o comércio ilegal de ouro, de madeira e com isso a gente trabalhar de forma mais estratégica. Nas cidades, nos municípios onde a gente detecta a maior movimentação por parte do crime organizado, a gente tem mantido uma presença muito mais forte”, disse Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama.”
De acordo com o Ibama, o crime organizado muda constantemente de local para evitar confrontos com as autoridades e manter os lucros da exploração ilegal de ouro. Empresários têm dado apoio logístico a essa movimentação, dificultando ainda mais a luta contra o garimpo.
Nos últimos anos, operações em outras terras indígenas, como a Yanomami, resultaram na retirada de garimpeiros, mas muitos migraram para outras áreas, como as terras indígenas Raposa Serra do Sol, no Roraima, e para o Pará, ampliando a destruição nas terras indígenas Munduruku e Kayapó. Após ações do Ibama nessas regiões, muitos garimpeiros se deslocaram para Sararé, onde as áreas atingidas aumentaram no ano passado.
Atualmente, as quadrilhas também estão atuando em áreas do sul do estado do Amazonas e no limite entre os estados do Amapá e do Pará. Para enfrentar as diversas frentes de atuação do crime, André Porreca, procurador que atua contra o garimpo ilegal, defende uma articulação constante entre os órgãos públicos.
“”As operações, muitas vezes, são episódicas, esporádicas e limitadas a um local específico. Então é necessário estabelecer medidas mais perenes, mais estruturadas de fiscalização, repressão e mesmo prevenção ao garimpo ilegal”, afirmou Porreca.”

