Caminhoneiros enfrentam ataques armados na rota da soja no Maranhão

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Caminhoneiros que transportam soja no Maranhão estão sendo alvo de ataques armados na BR-135, principal rota de escoamento da safra. Os ataques têm ocorrido especialmente no trecho que dá acesso ao Porto do Itaqui.

Um caminhoneiro relatou em um áudio: “Quem estiver vindo aí, toma cuidado, meu véi, que caíram de bala aqui. Mandaram parar o carro aqui, eu meti foi os pés, caíram foi de bala”. Um tiro atingiu o para-brisa do caminhão durante um desses ataques.

A quadrilha utiliza pneus para montar barricadas, forçando os motoristas a reduzir a velocidade ou parar. “Aí, por força aqui, ó, que fizeram na pista aí… fechada para abrir os caminhões de soja”, disse outro caminhoneiro.

Os criminosos aproveitam a fiscalização eletrônica, pendurando-se na traseira dos caminhões para abrir as travas. “Ali é 3, 4 mil quilos de grão que cai ali, entendeu?” afirmou o caminhoneiro José Barbosa, ressaltando que o prejuízo recai sobre os motoristas.

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Para tentar evitar os roubos, alguns caminhões estão instalando suportes adicionais. O caminhoneiro Rogério da Silva comentou: “Alguns caminhões já estão colocando parafusos, colocando um suporte a mais para dificultar o roubo deles”.

Em vídeos, é possível ver os criminosos coletando a soja que se espalha pela pista. “Ó eles enchendo lá o saco lá… bando de safado, rapaz”, disse um caminhoneiro.

O trecho afetado pelos ataques é de 17 quilômetros e, durante a safra, os roubos e furtos aumentam. O caminhoneiro Airton Ramalho comparou a situação ao Porto de Paranaguá, no Paraná: “Hoje está virando o Paranaguá, lá no Paraná… lá agora controlou, mas aqui em São Luís agora está um absurdo. Ninguém pode trabalhar, ninguém pode ser chamado de noite para descarregar”.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão indicam que, em 2025, foram registradas 44 ocorrências de furtos e roubos de grãos. No ano passado, uma operação policial resultou na prisão de 20 suspeitos de roubo de carga na mesma área. O produtor de soja Daniel Lech afirmou: “Todos os anos nós estamos seguidamente denunciando esse problema e vendo maneiras de se resolver isso aí, buscando alternativas”.

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