Escândalo do Banco Master muda cenário eleitoral no Distrito Federal

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O cenário político do Distrito Federal sofreu alterações significativas após o escândalo do Banco Master. Até o final do ano passado, o governador Ibaneis Rocha era bem avaliado e planejava concorrer a uma das duas vagas no Senado, com altas chances de sucesso. A vice-governadora Celina Leão estava pronta para assumir o cargo e se candidatar à reeleição, apoiada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, formando uma aliança considerada imbatível.

No entanto, no dia 28 de março, Ibaneis renunciou ao cargo e confirmou sua intenção de concorrer ao Congresso, mas sua situação se tornou incerta devido às investigações sobre o maior golpe financeiro da história. Ele foi abandonado pelo PL e não é mais visto como o favorito absoluto, além de estar sob pressão para mudar seus planos.

Ao tomar posse no cargo, Celina pediu o afastamento dos executivos do Banco de Brasília (BRB), que, segundo investigações da Polícia Federal, comprou carteiras de crédito e títulos podres do Banco Master, resultando em um prejuízo de R$ 12 bilhões. As irregularidades são tão evidentes que foram encontrados “clientes” com mais de 120 anos de idade que contraíram empréstimos consignados.

Celina Leão se distanciou do escândalo, afirmando que não teve ingerência nas negociações entre o BRB e o Master. Ela declarou:

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““Deixo claro que não participei da decisão, nem sequer fui consultada sobre o assunto. Esse governo não será obstáculo, será garantidor de todas as respostas.””

O problema político da nova governadora é agravado pela proximidade do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com autoridades, especialmente com o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, partido de Celina. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro revelaram que ele se referia a Ciro como “um dos grandes amigos de vida”. Além disso, documentos apreendidos indicam que Vorcaro chegou a reservar um helicóptero para levar Ciro a uma corrida de Fórmula 1.

A oposição já começou a explorar essas conexões, com o deputado Chico Vigilante (PT-DF) afirmando:

““A Celina estava o tempo todo junto com o Ibaneis, tinha confiança nele. Ela afirmar que não sabia da fraude é conversa pra boi dormir.””

Como resultado, a aliança que garantiria a reeleição tranquila de Celina sofreu um golpe. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou apoio à candidatura ao Senado da deputada Bia Kicis (PL-DF), que antes era reservada para Ibaneis. O PL também suspendeu o apoio à pré-candidatura de Ibaneis e aguarda o desenrolar das investigações para decidir sobre a aliança com Celina, que é crucial para suas pretensões eleitorais.

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Pesquisas indicam que os eleitores do Distrito Federal tendem a se alinhar com a direita. Em 2022, Ibaneis, com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, venceu as eleições no primeiro turno, enquanto Bolsonaro obteve 58% dos votos válidos na região. Sem esse eleitorado, Celina enfrenta riscos em sua candidatura.

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