O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não perdeu nem ganhou apoio do eleitorado em São Paulo após três anos e três meses de seu terceiro mandato. Candidato à reeleição, ele aparece estagnado no maior colégio eleitoral do país, conforme a pesquisa de intenção de voto da AtlasIntel/Estadão.
Segundo o levantamento, com margem de erro de dois pontos porcentuais, Lula tem entre 40,9% e 42,5% nas simulações de primeiro turno para 2026. Esse desempenho é semelhante ao registrado na eleição passada, quando obteve 40,89% dos votos na primeira rodada.
Nos cenários de segundo turno em São Paulo, o presidente marca entre 42,4% e 44%. Na eleição anterior, no embate direto contra Jair Bolsonaro, o petista alcançou 44,76% na fase decisiva da campanha.
As mudanças significativas ocorrem no campo oposicionista. O senador Flávio Bolsonaro (PL) ainda está distante do desempenho do pai, quando comparados os resultados de 2022 com os da pesquisa atual. Em um eventual embate direto com Lula, Flávio marcaria 49%, enquanto o presidente ficaria com 44%. Em 2022, Jair Bolsonaro obteve 55,2% dos votos no segundo turno no estado, dez pontos a mais que Lula.
Essa vantagem não foi suficiente para garantir a reeleição de Jair Bolsonaro, que, segundo seus aliados, precisaria abrir uma frente de cerca de 15 pontos no maior colégio eleitoral do país.
Na próxima campanha, os antigos adversários terão objetivos distintos. A meta de Lula é, mesmo se ficar atrás de Flávio em São Paulo, impedir que a diferença entre eles cresça até os 15 pontos. A de Jair Bolsonaro, como em 2022, é impulsionar o filho para que ele consiga uma quantidade de votos na região Sudeste capaz de superar a que Lula deve colher no Nordeste.
Em São Paulo, a campanha pelo governo estadual reeditará a disputa entre o governador Tarcísio de Freitas e o ex-ministro Fernando Haddad. De acordo com a AtlasIntel/Estadão, Tarcísio lidera nas projeções de primeiro e segundo turnos contra Haddad, com frentes semelhantes às registradas nas votações de 2022 — sete e dez pontos, respectivamente.
Até hoje, o ex-ministro da Fazenda, mesmo derrotado, é considerado por Lula um dos responsáveis pelo fato de a direita não ter deslanchado no estado a ponto de viabilizar a reeleição de Jair Bolsonaro. O PT sabe que é difícil virar o jogo em São Paulo em 2026 e considera suficiente que a equação se repita: uma derrota no estado que não impeça uma vitória nacional.

