Mudanças climáticas ameaçam produção de ostras em SC, com perdas de até 90%

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Santa Catarina, responsável por mais de 91% da produção nacional de ostras, enfrenta uma crise histórica que pode resultar na perda de até 90% da safra nesta temporada. As mudanças climáticas têm impactado diretamente tanto os produtores quanto os consumidores.

O produtor Paulo Antônio Constantino, que trabalha com ostras há 30 anos, relatou que, pela primeira vez, não possui o que vender. O prejuízo acumulado chega a R$ 1,5 milhão. ‘Era para ter em estoque hoje aproximadamente de 20 mil a 30 mil dúzias de ostra. Hoje eu não tenho 300 dúzias de ostra’, declarou.

“‘Não é uma ostra pronta para comercialização. Porém, como não existe mais nada, nós estamos embarcando o que tem’, explicou Constantino sobre a venda de ostras chamadas de ‘refugo’. Ele também mencionou que precisou demitir funcionários e que sua fazenda operará em meio período apenas para manutenção.”

A situação se repete em outras regiões produtoras, especialmente no sul da Ilha de Santa Catarina. Vinicius, produtor e presidente de uma associação de maricultores, afirmou que grande parte da produção está sendo descartada durante o manejo. ‘Trabalhamos com 20 colaboradores, cinco, infelizmente, a gente já teve que desligar, estamos com 15. Desses 15, três estão de férias, não sabemos no retorno das férias deles o que nós vamos realocar, se o cenário vai mudar’, lamentou.

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A crise ocorre em um período de alta demanda, como a Semana Santa, quando o consumo de ostras costuma aumentar. Com a queda na produção, a oferta diminui e os efeitos já são percebidos pelos consumidores.

Especialistas apontam que a principal causa do problema é o aumento da temperatura da água do mar. Pesquisadores da Epagri monitoraram o fenômeno e identificaram picos de calor acima do normal nos meses de janeiro e fevereiro. Além do calor, outros fatores associados às mudanças ambientais também contribuem para a mortalidade dos moluscos.

Diante desse cenário, o setor discute alternativas para reduzir os impactos. Uma das possibilidades é investir na comercialização de ostras processadas, como carne cozida e inspecionada, em vez da venda do produto in natura. ‘Uma das saídas já discutidas é mudar a forma de comercializar e apostar na ostra processada’, explicou um representante do setor.

A Federação de Empresas de Aquicultura defende a adoção de medidas emergenciais e políticas de longo prazo, incluindo maior acesso a crédito. Embora o governo do estado tenha anunciado uma linha com juros zero, limitada a R$ 50 mil por produtor, representantes do setor consideram o valor insuficiente diante dos prejuízos acumulados. ‘Nossos investimentos são muito altos com o complemento da folha de pagamento, são muitos funcionários que dependem disso, mas apoio com volumes maiores, né?’, disse Constantino.

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