Wilson Lima renunciou ao cargo de governador do Amazonas no sábado (4), após dois mandatos consecutivos, que começaram em 1º de janeiro de 2019.
A gestão foi marcada por momentos críticos, incluindo o colapso da saúde durante a pandemia de Covid-19 e investigações sobre irregularidades em contratos públicos.
Durante a pandemia, em 2021, o Amazonas enfrentou uma das maiores crises sanitárias do Brasil. O sistema de saúde entrou em colapso devido à falta de oxigênio, que foi registrada em 14 de janeiro daquele ano.
Hospitais ficaram sem cilindros para pacientes internados, enquanto as internações atingiam níveis recordes. Médicos, familiares e voluntários passaram a transportar oxigênio por conta própria, enquanto o governo transferia pacientes para outros estados.
Foi nesse contexto que surgiram investigações sobre a compra de respiradores pelo governo do estado. Em 2021, Wilson Lima se tornou réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) acusado de irregularidades na aquisição dos equipamentos.
O Ministério Público Federal (MPF) apontou que houve dispensa irregular de licitação e superfaturamento na compra de 28 ventiladores pulmonares, que custavam cerca de R$ 17 mil no mercado, mas foram adquiridos por mais de R$ 100 mil cada, resultando em um prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres públicos.
Além disso, os respiradores não tinham capacidade para atender pacientes graves e a negociação envolveu empresas sem atuação na área de saúde.
Em outro processo, sobre o transporte aéreo desses equipamentos, o STJ rejeitou em 2025 uma denúncia por peculato contra Lima, entendendo que não houve comprovação de intenção de desvio de recursos no pagamento de cerca de R$ 191 mil pelo fretamento de aeronaves.
No campo econômico, Lima encaminhou em março deste ano um projeto de lei à Assembleia Legislativa para incluir R$ 3,2 bilhões no orçamento de 2026, referente a um empréstimo feito em 2024 junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O orçamento do estado para 2026 está estimado em R$ 38 bilhões. Com a saída de Lima, o Amazonas entra em um novo cenário político, com previsão de eleição indireta para escolha do próximo governador.
Além de Wilson Lima, o vice-governador Tadeu de Souza também renunciou ao cargo. As cartas de renúncia foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), sem anúncio prévio da decisão.
Wilson Lima não informou qual cargo pretende disputar nas eleições de 2026. Com as saídas, o presidente da Aleam, Roberto Cidade (União Brasil), assumiu o governo interino do estado, com a solenidade de posse realizada na tarde de domingo (5) na sede da Casa Legislativa.

