A ascensão de Nikolas Ferreira no campo conservador está alterando o equilíbrio de forças dentro do bolsonarismo e já gera preocupações no entorno da família Bolsonaro. Com uma forte presença entre os jovens e crescente influência nas redes sociais, o deputado se apresenta como uma liderança em formação que pode desafiar o protagonismo do clã no médio prazo.
No programa Ponto de Vista, a apresentadora Marcela Rahal ouviu o cientista político Elias Tavares e o colunista Mauro Paulino sobre o impacto dessa nova dinâmica e os efeitos do racha interno na direita. Para Tavares, a resposta sobre se Nikolas já se tornou um problema para o bolsonarismo é sim, embora de forma gradual. O deputado é visto como uma liderança em ascensão que tende a ganhar autonomia política.
““Daqui a pouco será uma pedra no sapato da família Bolsonaro”, afirmou Tavares.”
Segundo ele, o crescimento de Nikolas vai além do bolsonarismo tradicional e alcança diferentes setores da sociedade, especialmente entre os mais jovens. O parlamentar construiu uma base sólida na chamada geração Z, com forte presença digital e capacidade de mobilização.
Paulino destacou esse alcance como um ativo estratégico, já que Nikolas fala diretamente com os jovens, enquanto outras lideranças do campo conservador têm mais dificuldade de penetração nesse público. Isso o torna uma peça importante, mas também um potencial concorrente interno.
No curto prazo, a tendência é de alinhamento entre Nikolas e Flávio Bolsonaro. Segundo Tavares, as diferentes lideranças devem se unir em torno da candidatura de Flávio quando a disputa estiver consolidada.
““Essas forças se somam”, afirmou.”
No entanto, o cenário muda no médio prazo. À medida que Nikolas ganha autonomia, sua capacidade de disputar protagonismo dentro da direita também cresce. A desorganização interna do bolsonarismo abre espaço para novas lideranças ocuparem terreno, e Tavares descreve o ambiente atual como fragmentado.
““É muito mais uma trapalhada do que uma organização”, disse.”
Apesar das disputas, Jair Bolsonaro ainda mantém um papel central. Mesmo enfraquecido politicamente, ele continua sendo o principal articulador e detentor do maior poder de transferência de votos. No entanto, a emergência de novas lideranças indica que esse controle pode ser desafiado no futuro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro segue como uma força relevante, especialmente entre mulheres evangélicas, mas também enfrenta resistências internas. Sua atuação reforça a multiplicidade de polos dentro do bolsonarismo, o que amplia o alcance eleitoral, mas dificulta a coordenação política.
O avanço de Nikolas expõe um movimento mais amplo: a renovação do campo conservador, com novas lideranças disputando espaço com figuras tradicionais. Isso fortalece a direita ao ampliar sua base, mas também cria tensões internas que podem impactar a coesão do grupo.
No curto prazo, a tendência é de união em torno de Flávio. No médio e longo prazo, porém, o bolsonarismo pode enfrentar sua disputa mais delicada — a que vem de dentro.

