Nikolas Ferreira cresce e gera preocupações no clã Bolsonaro

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A ascensão de Nikolas Ferreira no campo conservador está alterando o equilíbrio de forças dentro do bolsonarismo e já gera preocupações no entorno da família Bolsonaro. Com uma forte presença entre os jovens e crescente influência nas redes sociais, o deputado se apresenta como uma liderança em formação que pode desafiar o protagonismo do clã no médio prazo.

No programa Ponto de Vista, a apresentadora Marcela Rahal ouviu o cientista político Elias Tavares e o colunista Mauro Paulino sobre o impacto dessa nova dinâmica e os efeitos do racha interno na direita. Para Tavares, a resposta sobre se Nikolas já se tornou um problema para o bolsonarismo é sim, embora de forma gradual. O deputado é visto como uma liderança em ascensão que tende a ganhar autonomia política.

““Daqui a pouco será uma pedra no sapato da família Bolsonaro”, afirmou Tavares.”

Segundo ele, o crescimento de Nikolas vai além do bolsonarismo tradicional e alcança diferentes setores da sociedade, especialmente entre os mais jovens. O parlamentar construiu uma base sólida na chamada geração Z, com forte presença digital e capacidade de mobilização.

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Paulino destacou esse alcance como um ativo estratégico, já que Nikolas fala diretamente com os jovens, enquanto outras lideranças do campo conservador têm mais dificuldade de penetração nesse público. Isso o torna uma peça importante, mas também um potencial concorrente interno.

No curto prazo, a tendência é de alinhamento entre Nikolas e Flávio Bolsonaro. Segundo Tavares, as diferentes lideranças devem se unir em torno da candidatura de Flávio quando a disputa estiver consolidada.

““Essas forças se somam”, afirmou.”

No entanto, o cenário muda no médio prazo. À medida que Nikolas ganha autonomia, sua capacidade de disputar protagonismo dentro da direita também cresce. A desorganização interna do bolsonarismo abre espaço para novas lideranças ocuparem terreno, e Tavares descreve o ambiente atual como fragmentado.

““É muito mais uma trapalhada do que uma organização”, disse.”

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Apesar das disputas, Jair Bolsonaro ainda mantém um papel central. Mesmo enfraquecido politicamente, ele continua sendo o principal articulador e detentor do maior poder de transferência de votos. No entanto, a emergência de novas lideranças indica que esse controle pode ser desafiado no futuro.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro segue como uma força relevante, especialmente entre mulheres evangélicas, mas também enfrenta resistências internas. Sua atuação reforça a multiplicidade de polos dentro do bolsonarismo, o que amplia o alcance eleitoral, mas dificulta a coordenação política.

O avanço de Nikolas expõe um movimento mais amplo: a renovação do campo conservador, com novas lideranças disputando espaço com figuras tradicionais. Isso fortalece a direita ao ampliar sua base, mas também cria tensões internas que podem impactar a coesão do grupo.

No curto prazo, a tendência é de união em torno de Flávio. No médio e longo prazo, porém, o bolsonarismo pode enfrentar sua disputa mais delicada — a que vem de dentro.

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