Um estudo da Universidade Federal de São Paulo sugere que os hábitos de consumo de álcool dos pais influenciam diretamente seus filhos. A pesquisa analisou dados de mais de 4.200 adolescentes brasileiros e seus responsáveis, constatando que os hábitos de bebida dos pais são um dos principais preditores do uso de álcool ou drogas pelos adolescentes.
O estudo revelou que o consumo de álcool por um pai está associado a uma probabilidade de 24% de que seu filho também beba. Esse risco aumenta para 28% quando os responsáveis utilizam tanto álcool quanto tabaco ou vaporizadores. Os resultados foram publicados na revista científica Addictive Behaviors.
A coleta de dados ocorreu entre 2023 e 2024 em quatro cidades do Brasil, com a média de idade dos adolescentes sendo de 14,7 anos, incluindo uma mistura equilibrada de meninos e meninas.
““Com este estudo, reforçamos o fato de que os padrões de uso de álcool e outras drogas dos pais influenciam seus filhos”,”
afirmou a autora principal, Zila Sanchez, professora da universidade.
A forma mais eficaz de prevenção parece ser a abstinência como exemplo. Quando os responsáveis optam por não beber, 89% dos adolescentes se abstêm do uso de álcool ou outras drogas. O ambiente familiar também desempenhou um papel importante no uso de substâncias pelos adolescentes, com os pesquisadores analisando os efeitos de quatro estilos de parentalidade.
““Se eles estabelecem regras e limites em casa e demonstram afeto, esses fatores protetores minimizam muito o risco que eles mesmos representam ao consumir essas substâncias”,”
disse Sanchez. No entanto, os pesquisadores alertaram que o afeto não é uma solução definitiva, e que se o álcool for apresentado como um mecanismo de enfrentamento universal, é mais provável que um adolescente adote esse comportamento.
““Quando o consumo é frequente e tratado como algo trivial, isso se traduz em um maior risco, independentemente do vínculo emocional existente”,”
acrescentou Sanchez. Os pesquisadores também notaram algumas limitações do estudo, como o fato de que ele analisou um instantâneo de dados de um único momento no tempo, mostrando uma conexão, mas não provando que o consumo dos pais causou as escolhas dos adolescentes.
Além disso, a pesquisa se baseou em questionários respondidos pelos adolescentes, que podem ter subestimado seu próprio uso ou se lembrado incorretamente dos hábitos dos pais. O foco em apenas quatro cidades do Brasil também pode limitar a aplicabilidade dos resultados a outras culturas de consumo e dinâmicas familiares em diferentes partes do mundo.

