A disputa entre o PT e o PDT para liderar a chapa de esquerda nas eleições para o governo do Rio Grande do Sul ganhou novos contornos nesta terça-feira, 7 de abril de 2026.
A cúpula nacional do PT, por meio do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), divulgou um documento que recomenda ao diretório gaúcho o apoio à candidatura da ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), neta do ex-governador Leonel Brizola. No entanto, essa proposta enfrenta resistência no petismo local, que prefere o ex-deputado estadual Edegar Pretto (PT) como líder da aliança.
Se a resistência persistir, o GTE não descarta a possibilidade de intervenção na política estadual para definir os rumos da candidatura. O documento destaca a importância de uma tática eleitoral conjunta com o PDT e outros partidos do campo democrático, sob a liderança de Juliana Brizola, mas também tenta valorizar Edegar Pretto como o nome indicado para conduzir as negociações e ocupar a vice na chapa.
Pretto, por sua vez, reafirma sua intenção de lançar sua própria candidatura e conta com o apoio de outros membros do PT gaúcho, além do PSOL, especialmente da ex-deputada federal Manoela D’Ávila, que disputará o Senado. Em vídeos nas redes sociais, Pretto declarou: “Vamos lutar até o último pavio, até o último pilar nós vamos lutar. Com a força da militância, do partido, com a força do povo trabalhador gaúcho, nós vamos eleger Edegar.”
O PSOL também se posiciona contra a liderança do PDT no estado, lembrando que o partido fez parte da base do governo de Eduardo Leite (PSD) nos últimos anos. Outro nome na disputa pelo Senado é o deputado federal Paulo Pimenta (PT), que tenta articular apoio à candidatura de Brizola, mas enfrenta dificuldades no diretório estadual.
Os petistas gaúchos argumentam que Juliana Brizola não estaria tão comprometida com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora a equipe dela tenha negado essa afirmação, destacando que ela tem feito acenos ao presidente e ao PT nos últimos meses.
Brizola lançou um manifesto intitulado “Pela unidade do campo democrático, pela vitória do Brasil e do Rio Grande”, reforçando seu distanciamento do governo Leite e encerrando com a frase “Lula lá, Brizola aqui”. O acordo nacional para apoio à candidatura de Brizola foi costurado pelos presidentes dos partidos, Edinho Silva (PT) e Carlos Lupi (PDT), além do presidente Lula.
Se o diretório estadual do PT não seguir as orientações do GTE, uma intervenção poderá ser considerada, como ocorreu em 2024 em algumas capitais brasileiras.
A disputa se intensifica em um momento em que a direita lidera as intenções de voto para o governo estadual. Segundo a pesquisa Real Time Big Data de março, o deputado federal Luciano Zucco (PL) lidera com 31% das intenções, seguido por Juliana Brizola com 24% e Edegar Pretto com 19%. O vice-governador Gabriel Souza (MDB), apoiado por Eduardo Leite, aparece com 13%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

