Um grupo de congado foi atacado com urina durante um cortejo religioso em Uberlândia, no último domingo (5). O incidente ocorreu por volta das 17h40, na rua Casimiro de Abreu, quando participantes foram atingidos por líquido arremessado de um prédio no bairro Saraiva.
O cortejo fazia parte das atividades do Terno de Congado Moçambique Conta de Lágrimas, que é uma manifestação cultural de origem afro-brasileira e patrimônio cultural imaterial do município. O grupo informou que o ataque aconteceu enquanto realizavam o trajeto habitual, quando uma pessoa não identificada jogou urina de uma janela do Condomínio Residencial Rossi.
A Polícia Militar registrou a ocorrência, que foi classificada como “outras ações de defesa social”, com suspeita de motivação relacionada à intolerância religiosa. O condomínio se manifestou em nota, repudiando o ocorrido e afirmando que está apurando os fatos internamente.
Após o ataque, o terno de congado divulgou uma nota de repúdio, enfatizando que o congado representa luta e resistência e que “racismo religioso é crime”. A estudante de História, Laura Aparecida Silva, de 22 anos, que é bandeireira no terno, expressou sua revolta e humilhação após o ataque, relatando que a situação foi inesperada e muito constrangedora.
““Uma moradora jogou xixi em nós. […] É muito revoltante e eu me senti muito humilhada”, disse Laura.”
Outra integrante do grupo, Silvana Rodrigues, também comentou sobre o impacto emocional do ataque, afirmando que se sentiu muito abalada. “Cheguei em casa com muita raiva, chorei de raiva, porque isso dói na gente demais”, afirmou.
A repercussão do caso levou a deputada federal Dandara Tonantzin (PT) a acionar o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), solicitando a abertura de uma investigação criminal. Ela classificou o ato como uma agressão grave e destacou que pode configurar crimes como vilipêndio a ato religioso e intolerância religiosa.
O MPMG foi contatado para informar se o ofício protocolado na segunda-feira (6) foi recebido e se será aberto um procedimento criminal, mas não houve resposta até a última atualização.
O Condomínio Residencial Rossi, em sua nota, reafirmou seu compromisso com o respeito e a convivência civilizada, lamentando o ocorrido e a repercussão gerada, especialmente por envolver uma manifestação cultural de valor histórico e social.

