O diagnóstico de câncer metastático, que antes era considerado uma sentença de morte, passou a ter uma nova realidade nas últimas duas décadas. O avanço nos tratamentos tem contribuído para aumentar o tempo e a qualidade de vida de muitos pacientes.
O arsenal terapêutico agora inclui estratégias como o tratamento sistêmico, que se beneficiou da incorporação de medicamentos sofisticados, incluindo anticorpos monoclonais, drogas-alvo, anticorpos associados à quimioterapia e imunoterapia. Mesmo em casos onde a ressecção do tumor é difícil, essas novas classes de medicamentos permitem o controle eficaz da doença por longos períodos, e em alguns casos, até a cura.
Um exemplo é o câncer de pulmão metastático, que, se o paciente tiver alterações moleculares específicas, como a mutação no gene EGFR, pode ser controlado com uma pílula periódica, permitindo que a neoplasia permaneça sob controle por muitos anos.
Os tratamentos locais também avançaram. O câncer de cólon com metástase no fígado, que há 30 anos era considerado incurável, agora pode ter uma perspectiva de cura se a doença estiver sob controle com tratamento sistêmico. Em alguns países, como França, Noruega e Estados Unidos, o transplante de fígado é oferecido para pacientes com a doença controlada por quimioterapia.
O Instituto Nacional do Câncer de Rockville, nos Estados Unidos, estima que o número de pessoas com câncer metastático está crescendo. Em 2018, havia 623.405 norte-americanos com câncer avançado de mama, próstata, pulmão, colorretal, bexiga e pele (melanoma). Esse número aumentou para 693.452 em 2025.
Pesquisadores estimam que quase 30% das pessoas diagnosticadas com melanoma metastático e um quinto das diagnosticadas com câncer colorretal e de mama metastáticos viveram dez anos ou mais com a condição. Além disso, a mortalidade por câncer caiu entre 2% e 3% ao ano nos últimos 30 anos, resultado do diagnóstico precoce e do aumento da sobrevida por meio do tratamento sistêmico.
“‘A promessa de cronificação do câncer metastático é hoje uma realidade’, afirma Paulo Hoff, médico oncologista e presidente da Oncologia D’Or.”

