Os mercados financeiros registraram um movimento global de diminuição da aversão ao risco. O principal fator que impulsionou esse otimismo foi o cessar-fogo de duas semanas acordado entre Estados Unidos e Irã na noite anterior.
Apesar das incertezas nas negociações, como a continuidade dos ataques de Israel contra o Líbano, a medida que alivia temporariamente as tensões no Oriente Médio foi suficiente para melhorar o humor dos investidores. O Ibovespa encerrou em alta de 2,09%, ultrapassando os 192 mil pontos pela primeira vez na série histórica.
Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, afirmou que, embora o cessar-fogo seja instável, a trégua dos EUA reduz as inseguranças e gera euforia nos índices de ações e moedas no curto prazo.
““Cada vez mais a tendência é que o país norte-americano saia do risco de guerra e que isso se torne mais um conflito local entre Israel e Irã”,”
comentou.
Gass acrescentou que essa situação, seja por meio de um acordo ou troca de regime, pode impulsionar os mercados e desvalorizar ainda mais o preço do barril de petróleo. O Estreito de Ormuz foi aberto após o acordo, mas voltou a ser fechado no fim da manhã de hoje. No entanto, a movimentação no canal durante o início do dia fez o preço do barril de petróleo brent despencar mais de 13%, sendo negociado em torno dos 96 dólares.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explicou que
““a queda do petróleo eliminou o risco imediato de choque inflacionário global e pressionou o DXY de forma direta, enfraquecendo a moeda americana em relação às emergentes””
. O real se destacou pela combinação de fluxo para a bolsa de valores e manutenção de diferencial de juros real elevado frente aos pares.
Com isso, o dólar caiu para 5,09 reais, a menor cotação desde maio de 2024, quase dois anos atrás. A moeda brasileira se destacou pela combinação de fluxo de capital estrangeiro indo para a bolsa de valores nacional e manutenção de diferencial de juros elevado entre os EUA e o Brasil.

