As bolsas de valores em todo o mundo fecharam em forte alta, mesmo diante da fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio. A trégua trouxe um alívio para os negócios, em meio a um confronto que envolve tanto armas militares quanto econômicas, com o petróleo como um dos principais fatores.
Hugo Garbe, professor de Economia da Mackenzie, comentou sobre a situação: “Quando o Irã fecha o Estreito de Ormuz, o que ele quer? Estrangular, de forma geral, o fluxo logístico daquela região. E ele sabe que vai ter um impacto no preço do petróleo, no fornecimento de alimentos e outros produtos para aquela região e para o mundo todo. E que, com isso, ele vai conseguir pressionar os Estados Unidos. A gente vive esse momento de transição e é muita clara essa importância da guerra econômica em detrimento da guerra bélica.”
A guerra com armas econômicas deixa os mercados reféns da geopolítica. Por isso, os gráficos do petróleo, das bolsas pelo mundo e do dólar acompanham as notícias do conflito no Oriente Médio. O início da guerra fez com que a cotação do petróleo subisse de pouco mais de US$ 73 para acima de US$ 100 o barril no dia 8 de março. Em 5 de abril, o preço chegou a US$ 111, após declarações de Trump sobre um possível ataque ao Irã se o Estreito de Ormuz não fosse aberto.
Nesta quarta-feira (8), o preço do petróleo recuou com o cessar-fogo e fechou a US$ 95,75. A expectativa de um acordo refletiu em ganhos nas bolsas da Ásia, Europa e Estados Unidos. A bolsa brasileira alcançou um novo recorde de pontos, com alta de 2%. O dólar caiu para R$ 5,10, o menor valor em dois anos.
A economista Carla Argenta, da CM Capital, alertou sobre a volatilidade do momento: “Nesse momento, está tudo escrito em areia e a qualquer momento a gente pode ver uma devolução dos movimentos benéficos que foram gerados ao longo do dia de hoje.”

