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Saúde

Menopausa e saúde mental: como a queda do estrogênio afeta o cérebro

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de abril de 2026 04:01
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A menopausa, que geralmente ocorre a partir dos 45 anos, provoca mudanças hormonais que afetam a saúde mental das mulheres. A produção do estrogênio passa por oscilações significativas, influenciando áreas do cérebro ligadas ao humor, sono e cognição. Isso pode resultar em sintomas como irritabilidade, ansiedade e tristeza persistente.

Dados do relatório de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, mostram que a frequência de diagnósticos de depressão entre mulheres no Brasil aumentou de 14,8% em 2020 para 19,7% em 2024. Especialistas indicam que esse aumento pode estar relacionado a períodos de instabilidade hormonal, como o climatério.

A psiquiatra Heloisa Batistussi, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), afirma que muitas mulheres não apresentam sintomas relevantes até a chegada do climatério, que ocorre geralmente a partir dos 40 anos. Nesse período, circuitos cerebrais ligados ao humor são afetados pela redução dos níveis hormonais, intensificando os sintomas na perimenopausa, fase que antecede a menopausa.

““É uma fase de maior vulnerabilidade, em que pode haver o surgimento ou a piora de sintomas depressivos”, disse Luciano Pompei, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).”

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O estrogênio é um hormônio sexual feminino que desempenha um papel central no funcionamento do cérebro. A endocrinologista Karen de Marca, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que a queda do estrogênio afeta a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, essenciais para a regulação do humor. Essa redução também está associada a dificuldades de concentração, alterações do sono e irritabilidade.

Embora haja uma relação entre estrogênio e saúde mental, especialistas ressaltam que a presença de sintomas não implica necessariamente em depressão. A avaliação clínica considera fatores como duração, intensidade e impacto na rotina. Alterações hormonais costumam causar sintomas mais leves e flutuantes, enquanto a depressão é persistente e incapacitante.

Quando há diagnóstico de depressão, o tratamento geralmente envolve antidepressivos e psicoterapia. A terapia hormonal pode ser indicada como complemento, ajudando a aliviar sintomas associados à queda do estrogênio. Pompei observa que a reposição hormonal não substitui o tratamento da depressão, mas pode atuar como coadjuvante.

A intensidade das alterações emocionais varia entre as mulheres, sendo mais marcadas em quem apresenta sintomas menopausais intensos. Fatores como histórico prévio de depressão e menopausa cirúrgica, que causa queda hormonal abrupta, aumentam o risco de impacto na saúde mental. O contexto social, como a sobrecarga de tarefas, também pode agravar o estresse.

Medidas como prática regular de atividade física, estratégias de manejo do estresse e fortalecimento da rede de apoio social podem ajudar a proteger a saúde mental durante a perimenopausa. Essas ações não substituem o tratamento clínico, mas podem reduzir a intensidade dos sintomas e melhorar a qualidade de vida.

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