Em um cenário global que demanda maior transparência nos processos produtivos, a origem dos produtos se torna tão relevante quanto a própria produção. Atualmente, a rastreabilidade envolve o registro contínuo de informações sobre a produção, desde a origem da matéria-prima até o destino final.
Esses dados incluem a localização da propriedade, o manejo adotado, o uso de insumos e as etapas de transporte e processamento. O processo de acuracidade digital permite que os produtos obtenham certificados socioambientais em mercados regulados, como na Europa, avançando na rastreabilidade.
““A rastreabilidade organiza essas informações ao longo da cadeia e permite garantir a origem e a qualidade do produto”, afirma Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.”
Com essas informações, é possível identificar rapidamente a origem de um produto, facilitando a gestão da produção e o atendimento a exigências sanitárias e comerciais. A aplicação da rastreabilidade envolve todos os elos da cadeia produtiva até os selos de certificação, que validam as informações ao longo do processo.
Esses selos indicam que o produto atende a critérios ambientais, sociais e de governança, verificados por auditorias independentes. A indicação geográfica (IG) também é um mecanismo importante, associando um produto à sua região de origem, considerando características específicas do território, como clima e solo.
No Brasil, o café possui mais de 20 IGs, entre Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO), fortalecendo a indústria de valor agregado.
““O selo traduz essa informação para o consumidor de forma simples, garantindo que há um sistema por trás que comprova a origem e o modo de produção”, destaca Tarabal.”
A Rainforest Alliance, organização internacional que certifica produtos agrícolas, desenvolve padrões de sustentabilidade e sistemas de monitoramento em cadeias como café e cacau. De acordo com Yuri Feres, diretor regional da entidade no Brasil, o processo permite acompanhar o produto de ponta a ponta.
““Se tem o selo, a gente consegue garantir não só a origem, mas também que aquela produção seguiu critérios ambientais e sociais ao longo de toda a cadeia”, diz Feres.”
O avanço dos processos de rastreio está ligado a mudanças no mercado, especialmente no cenário internacional. “No caso do café, que é um produto global, a cadeia sofre uma pressão grande para adotar práticas sustentáveis”, detalha Tarabal.
A rastreabilidade passou a ser uma exigência formal em alguns mercados. “Hoje, não basta saber o país de origem. É preciso chegar até a propriedade onde aquele produto foi cultivado”, complementa Feres. A cadeia cafeeira é uma das que mais avançaram na adoção de sistemas de rastreabilidade no Brasil.
Segundo Tarabal, a região do Cerrado Mineiro trabalha há cerca de duas décadas com práticas voltadas à sustentabilidade e ao monitoramento da produção. Atualmente, a área certificada soma cerca de 120 mil hectares, com sistemas que permitem acompanhar o produto desde a origem até o mercado consumidor.
A expectativa é que o tema ganhe ainda mais relevância nos próximos anos, impulsionado por exigências de mercado e regulações internacionais, que tendem a se tornar cada vez mais rigorosas.
““Quem puxa essa demanda pode ser tanto o mercado de destino quanto o próprio produtor, que busca agregar valor ao produto”, conclui Feres.”

