O Partido Liberal programou para maio o início da campanha de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. Ele foi vereador no Rio de Janeiro durante os últimos 25 anos, mas renunciou em dezembro para disputar uma das vagas de senador catarinense.
Carlos Bolsonaro é uma das apostas da família no poder de transferência de votos de Jair Bolsonaro, que está inelegível e condenado à prisão pelos próximos 27 anos. O ex-vereador migrou para o PL sob patrocínio do governador Jorginho Melo, que tenta a reeleição e praticamente impôs a candidatura ao Senado do filho do ex-presidente ao partido em Santa Catarina.
No entanto, os eleitores catarinenses demonstram desconfiança em relação a essa manobra, conforme pesquisa da AtlasIntel realizada na semana passada. Metade do eleitorado considera a candidatura de Carlos Bolsonaro como oportunismo e 49% julgam que ela é contrária aos interesses de Santa Catarina.
Uma parte do eleitorado (20,6%) reconhece como legítima a decisão de Jair Bolsonaro de mandar o filho renunciar à Câmara do Rio e tentar compor a bancada do PL no Senado. Contudo, essa estratégia é vista com antipatia e classificada como questionável.
O apoio explícito à candidatura de Carlos Bolsonaro está restrito a uma parcela minoritária de 25,6%. Embora esse número não seja desprezível para um migrante recém-chegado, ele perde significado quando quase o dobro (49%) dos eleitores afirma ter uma “imagem negativa” do candidato.
A rejeição enfrentada por Carlos Bolsonaro é significativamente maior do que a atribuída aos principais concorrentes às duas vagas ao Senado, como a deputada federal Carol De Toni (26%) e o senador Esperidião Amin (29%). As dificuldades do candidato não se limitam ao eleitorado catarinense, mas também se estendem ao ambiente familiar, uma vez que Michelle Bolsonaro preferiu apoiar a deputada De Toni e, mais recentemente, o senador Amin, que lideram a disputa para o Senado.

