A Polícia Civil deflagrou uma operação nesta quinta-feira (9) em Ribeirão Preto, São Paulo, visando uma quadrilha suspeita de aplicar golpes em compras, causando um prejuízo de ao menos R$ 2 milhões a duas vítimas identificadas.
Os criminosos se passavam por empresas, utilizando o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e a razão social para abrir cadastros e obter crédito. Eles realizavam compras de produtos a prazo, recebiam as mercadorias, mas não efetuavam o pagamento dos boletos na data de vencimento, ignorando ligações e e-mails dos fornecedores.
“”Eles emitiam o pagamento em boleto, de 30 a 60 dias. Durante esses 60 dias, eles utilizavam o nome da empresa para ir comprando e desviando mercadorias lícitas. O volume do prejuízo é ainda indefinido. Temos perto de R$ 2 milhões de prejuízo, porém o número de vítimas ainda é desconhecido e deve aumentar depois dessa operação”, disse o delegado Fernando David de Melo Gonçalves, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo.”
Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo sete em Ribeirão Preto e dois em Limeira, além do bloqueio de quatro veículos. Aparelhos eletrônicos, como roteadores e notebooks, cartões bancários e cheques foram apreendidos. Um dos suspeitos de chefiar a quadrilha foi procurado em um condomínio na zona Sul de Ribeirão Preto, mas não foi encontrado.
O grupo chegou a usar os dados de uma empresa de agropecuária para realizar diversas compras, incluindo tratores.
“”De uma empresa de agropecuária, que foi a que nos procurou, pediram ar-condicionado, computadores e até tratores. Tudo isso foi entregue em locais que não eram identificáveis, porque uma empresa de transporte de carga ia até o local, buscava e daí, sim, levava até o destino dos golpistas”, afirmou o delegado.”
Para dar maior aparência de legitimidade, os criminosos criavam domínios de e-mail e contas semelhantes aos das empresas verdadeiras. O delegado Gonçalves destacou a dificuldade na identificação dos locais de onde os dispositivos eletrônicos eram acessados.
“”Utilizavam WhatsApp, e-mail e acessos físicos, que conseguimos através de uma quebra telemática”, completou.”
A operação, chamada de “Arara Caipira”, foi desencadeada após queixas de empresas contatadas por fornecedores sobre pagamentos não realizados. Durante a investigação, constatou-se que os golpistas utilizavam linhas telefônicas registradas em nome de terceiros, e-mails falsos e contas em aplicativos de comunicação.
A Polícia Civil solicitou a quebra telemática e, a partir dos dados sigilosos, identificou acessos aos sistemas digitais utilizados no golpe e os locais onde os telefones eram usados, principalmente na região de Ribeirão Preto. A polícia observou que o esquema apresenta “alto grau de profissionalismo e organização, com divisão clara de tarefas entre os integrantes”.
“”As análises indicaram que os envolvidos podem participar de outros grupos criminosos correlatos, atuando de forma contínua na prática de fraudes naquela região do Estado de São Paulo”, completou o delegado.”

