A Petrobras anunciou que devolverá aos clientes os valores pagos a mais no leilão de gás realizado no dia 31 de março de 2026. Durante o leilão, o produto foi vendido com preços até 100% superiores aos da tabela da estatal.
A empresa informou que arcará com a diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI), divulgado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o período de 23 a 27 de março, e os lances arrematados pelos distribuidores participantes do leilão.
No dia 8 de abril, a Petrobras comunicou que executará a “neutralização dos efeitos de preço decorrentes do leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP)”. A decisão foi baseada em análises econômicas e de risco, levando em consideração o contexto mercadológico atual, influenciado pelo conflito no Oriente Médio, além das manifestações de órgãos de controle e regulatórios, como a ANP e a Secretaria Nacional do Consumidor.
A companhia também garantiu a entrega da totalidade dos volumes contratados no leilão e está analisando a adesão formal ao programa de subvenção governamental ao GLP importado, estabelecido pela Medida Provisória Nº 1.349. Caso a adesão ocorra, a Petrobras devolverá aos clientes “os valores suportados pela subvenção”.
No dia 2 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que pretendia anular o leilão por ter sido realizado “contra a vontade da direção da Petrobras”. Na mesma data, a ANP fiscalizou refinarias da Petrobras para investigar “suspeitas de prática de preços com ágios elevados” no leilão de gás de cozinha.
Quatro dias após o leilão, a Petrobras destituiu Claudio Romeo Schlosser, diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, que era responsável pela área que promoveu o leilão.
O GLP, conhecido como gás de cozinha, também é utilizado como combustível por indústrias. O leilão ocorreu em um cenário de aumento dos preços do petróleo e derivados no mercado internacional, devido à guerra entre Estados Unidos e Irã, que afetou a cadeia produtiva da matéria-prima. Simultaneamente, o governo estudava medidas para mitigar os efeitos da alta do petróleo e derivados, incluindo a zeragem de impostos e subsídios para o diesel e gás de cozinha.

