Em meio a um frágil cessar-fogo, os Estados Unidos e o Irã se preparam para o início de uma rodada de negociações de paz em Islamabad, no Paquistão, que pode encerrar a guerra no Oriente Médio. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou que as conversas terão início nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026.
O acordo para pausar os combates por duas semanas foi intermediado por Sharif e anunciado na última terça-feira, 7 de abril. A Casa Branca informou que sua delegação, liderada pelo vice-presidente JD Vance, chegará a Islamabad no sábado, 11 de abril. A comitiva incluirá também Steve Witkoff, enviado de Donald Trump para o Oriente Médio, e Jared Kushner, genro do presidente.
A trégua, embora anunciada, tem se mostrado frágil, com registros de violações e um fechamento de fato do Estreito de Ormuz. O cessar-fogo previa que, durante duas semanas, os EUA e Israel pausassem os ataques ao território iraniano, enquanto o Irã se comprometeria a reabrir o estreito. No entanto, na manhã de quarta-feira, 8 de abril, foram registrados ataques de ambos os lados do conflito.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz após um ataque israelense ao Líbano, onde atua o grupo extremista Hezbollah, aliado de Teerã. Israel alegou que o front no Líbano não estava contemplado no acordo de cessar-fogo, o que contradiz a declaração de Sharif. O Líbano informou que o ataque israelense resultou na morte de mais de 250 pessoas, a maioria civis, no maior bombardeio já registrado no país em um único dia.
Na quinta-feira, 9 de abril, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, afirmou que o Estreito de Ormuz estava aberto, mas com restrições. O Irã alertou sobre o risco de minas navais na região e informou que a Guarda Revolucionária estaria coordenando o tráfego marítimo. Na prática, o estreito permaneceu fechado, com poucas embarcações autorizadas a cruzar.
Trump acusou o Irã de não respeitar o acordo e adotou um tom ameaçador, afirmando que o petróleo voltará a fluir, com ou sem a ajuda do Irã. O Irã também relatou ataques a ilhas iranianas. Ao mesmo tempo, países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait, denunciaram ataques de mísseis e drones iranianos durante a vigência da trégua.
O cessar-fogo é apenas uma pausa e ocorrerá em paralelo com as negociações oficiais entre as duas partes para um acordo definitivo de paz. O Irã apresentou um plano de dez pontos como condição para o fim da guerra, que foi inicialmente considerado por Trump como uma base viável, mas posteriormente descartado pela Casa Branca.
Um dos pontos do plano iraniano prevê a manutenção do enriquecimento de urânio, o que gerou controvérsia. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã alegou que Washington concordou com o termo, mas Trump negou e afirmou que os EUA irão escavar todo o urânio enriquecido do solo iraniano.
O Paquistão, atuando como mediador, e o Irã afirmam que a trégua inclui o Líbano, mas Israel e os EUA afirmam que os ataques ao Hezbollah estão fora do acordo. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que iniciará negociações de paz com o Líbano, que incluirão o desarmamento do Hezbollah.


