A Polícia Civil deflagrou esta semana uma força-tarefa contra uma quadrilha que utilizava dados de empresas reais para enganar fornecedores no interior de São Paulo. A operação, chamada “Arara Caipira”, resultou em um prejuízo de pelo menos R$ 2 milhões para as vítimas.
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Limeira e Ribeirão Preto, cidades onde a quadrilha operava. O homem apontado como líder do esquema não foi encontrado durante as diligências. O delegado Fernando David de Melo Gonçalves, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), afirmou: “Os golpistas, extremamente organizados e estruturados, utilizavam dados verdadeiros de empresas idôneas para realizar pedidos como se fossem essas empresas”.
A operação foi realizada na quinta-feira (9) e revelou que os criminosos usavam o CNPJ e a razão social de empresas reais, principalmente do setor de informática e agropecuária, para abrir cadastros e obter crédito. Eles criavam domínios de e-mail e contas em aplicativos de mensagens semelhantes aos originais para conferir legitimidade às fraudes.
Os golpistas compravam produtos a prazo, recebiam as mercadorias em locais de difícil identificação e não pagavam os boletos. “Tudo isso foi entregue em endereços que eram normalmente lotes, locais que não eram identificáveis”, explicou o delegado.
As investigações identificaram um prejuízo de ao menos R$ 2 milhões, referente a apenas duas vítimas, empresas de porte médio e grande. A polícia acredita que o valor total e o número de empresas lesadas podem ser muito maiores. A quadrilha adquiria desde aparelhos eletrônicos até maquinários pesados, como tratores.
Foram cumpridos sete mandados em Ribeirão Preto e dois em Limeira. A Polícia Civil apreendeu notebooks, roteadores, cartões bancários e cheques, além de bloquear judicialmente quatro veículos avaliados em R$ 500 mil. Ninguém foi preso durante a ação, e o suspeito de chefiar o grupo foi identificado, mas não encontrado em casa. Ele está no exterior, mas não é considerado foragido.
A investigação começou após empresas reais receberem cobranças por compras que nunca haviam realizado. Por meio de quebra de dados telemáticos, os investigadores conseguiram rastrear os acessos digitais e localizar onde os criminosos operavam, identificando o alto grau de profissionalismo e a divisão de tarefas do grupo.
Os alvos da operação respondem inicialmente por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O delegado acredita que as acusações possam mudar com o avanço das investigações, que buscam entender a participação de outras pessoas no esquema.

