A goiana Fabricia Azevedo, de 28 anos, vive um sonho nos Estados Unidos, onde se tornou piloto de voos executivos. Sua trajetória começou em Itaberaí, Goiás, onde trabalhou em diversas profissões, incluindo diarista e ajudante na construção civil.
Em 2018, aos 21 anos, Fabricia trabalhava como vendedora de biquínis e estudava direito. Após o término de um relacionamento, ela decidiu mudar de vida. “E eu pensei: e agora? O que que eu vou fazer, né? Que eu vou ficar aqui em Itaberaí, se meu trabalho não der certo, como que eu vou pagar minha faculdade?”, comentou.
Um amigo que morava na Flórida sugeriu que ela se mudasse para lá. Fabricia, inicialmente insegura sobre como conseguir um visto, decidiu arriscar. Vendeu seu carro e pegou dinheiro emprestado para custear a viagem. Com o visto aprovado, ela embarcou sem falar inglês e alugou um quarto em Palm Beach Gardens.
Para se sustentar, começou a fazer faxinas e trabalhou na construção civil. “Naquela época, pela limitação da língua, era a mão de obra que dá pra fazer sem se comunicar”, afirmou. Após seis meses, Fabricia já falava inglês com desenvoltura, aprendendo palavras diariamente e praticando com nativos.
O trabalho de faxineira a levou a uma oportunidade inesperada. Os proprietários de uma das casas onde trabalhava tinham uma empresa de aluguel de aeronaves e, percebendo seu progresso no inglês, ofereceram-lhe um emprego como aeromoça. “Eu sabia cozinhar, sabia fazer todos os drinks, mas mesmo assim, eu tive que fazer o curso”, detalhou.
Fabricia trabalhou como aeromoça executiva de jato privado por dois anos. Em um dos voos, teve a chance de sentar na cabine e pilotar o jato. “E aí, eu fiz e falei: é isso aqui que eu vou fazer da minha vida”, relembrou. A partir daí, começou uma intensa preparação para se tornar piloto, com cursos realizados em vários estados dos EUA.
Desde 2023, Fabricia pilota aeronaves em voos executivos, conquistando um salário médio de R$ 50 mil por mês. Ela já adquiriu seu primeiro imóvel em Miami e ajuda sua família no Brasil. Fabricia já voou para destinos como Brasil, Peru, Argentina, Reino Unido, Islândia e Bahamas.
A goiana sonha em obter a licença de piloto de linha aérea e voar aeronaves comerciais. “Todo piloto tem vontade de voar uma aeronave maior, carregar todos os passageiros atrás. Acho que todos nós carregamos esse sonho dentro do coração, de chegar a esse nível”, afirmou. Para ela, voar é um “milagre” e uma fonte de felicidade.

