Indígenas de diversas etnias marcharam em Brasília nesta semana durante o Acampamento Terra Livre, que ocorre até o dia 11 de abril. A trabalhadora rural Claudia Kaxinawá, de 21 anos, do povo Huni Kuim, viajou dez dias de ônibus de Tarauacá (AC) até a capital federal. Ao chegar ao Congresso Nacional, segurou a ponta de uma bandeira que pedia a proibição da exploração de empresas mineradoras em terras indígenas.
“Tenho muito orgulho de levar essa bandeira e lutar pelo meu povo. Nós jovens precisamos estar engajados”, afirmou Claudia. A liderança indígena Sara Lima, de 42 anos, do povo pataxó, também participou da marcha, segurando a bandeira da Aliança dos Povos pelo Clima. Ela denunciou os impactos do projeto da mineradora Belo Sun sobre a Volta Grande do Xingu e os territórios tradicionais da região onde vive.
Durante a manifestação, faixas com frases como “Congresso: escolha entre a vida e o ouro” foram exibidas. Os indígenas, que já enfrentam os impactos da Usina de Belo Monte, expressaram preocupação com a possível chegada da mineradora. “Impactam fauna e flora de nossa região”, disse Sara, que também destacou a devastação causada pela Usina de Belo Monte, que destruiu quase 80% do território de seu povo.
O agente de saneamento Naron da Silva, de 22 anos, do povo tupi, também participou da marcha. Ele mora na aldeia Tapirema, em uma área de Mata Atlântica, e reivindicou políticas públicas para sua comunidade, que enfrenta ameaças de grileiros e dificuldades com o abastecimento de água. “Água é tudo para a gente”, afirmou Naron.
Um grupo da comunidade Gueguês, localizada a seis quilômetros de Uruçuí (PI), também pediu melhores condições de vida e mais unidades de ensino, incluindo uma faculdade. A estudante Marilene de Jesus, de 37 anos, é a primeira de sua família a chegar ao ensino superior e estuda licenciatura intercultural no Instituto Federal do Piauí (IFPI). “Não imaginava que iria me tornar professora, mas é preciso”, disse Marilene.
Ao final da marcha, os indígenas entregaram uma carta a representantes do Executivo, reconhecendo avanços, mas pedindo maior celeridade nas demarcações de terra. Em outro documento, as lideranças apresentaram ao Itamaraty uma proposta de criação de áreas livres de exploração de petróleo e gás. A 22ª edição do Acampamento Terra Livre reúne pelo menos 8 mil pessoas até este sábado.

