O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração desdenhosa ao Irã nesta sexta-feira, 10, véspera da primeira rodada de negociações entre os dois países durante o cessar-fogo de duas semanas, que teve início na última terça-feira.
Trump afirmou que Teerã está em posição de desvantagem nas tratativas, minimizando o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz, que os iranianos utilizaram como sua principal arma ao longo do conflito que afetou o Oriente Médio por cinco semanas. A Agência Internacional de Energia (AIE) discorda dessa avaliação, afirmando que o mundo enfrentou o maior choque de fornecimento de petróleo da história devido ao bloqueio da rota que transporta 20% do combustível consumido globalmente.
“Os iranianos parecem não perceber que não têm outras cartas na manga, além de uma extorsão de curto prazo contra o mundo através do uso das vias navegáveis internacionais”, disparou Trump, referindo-se ao Estreito de Ormuz. “A única razão pela qual ainda estão vivos hoje é para negociar!”, completou.
A hidrovia foi aberta por algumas horas na quarta-feira, logo após o anúncio da trégua, mas foi rapidamente fechada pelo Irã após a continuação dos ataques de Israel contra o Líbano, onde combate a milícia pró-iraniana Hezbollah.
De acordo com o Paquistão, que mediou as negociações para o cessar-fogo, o território libanês está incluído no acordo, algo que Tel Aviv e Washington negaram. Esse será um dos principais pontos de atrito nas conversas deste sábado, que contarão com delegações americana, liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, e iraniana, chefiada pelo chanceler Abbas Araghchi, em Islamabad, além da questão do programa de enriquecimento de urânio do Irã.

