A inflação nos Estados Unidos acelerou em março, atingindo 3,3% em 12 meses, o maior nível em dois anos. O aumento foi impulsionado pela alta nos preços de energia relacionada à guerra no Irã, que começou no fim de fevereiro durante o governo de Donald Trump.
O preço da gasolina, principal fator da alta, subiu 21,2% apenas em março, o maior aumento mensal desde 1967. O preço do petróleo nos EUA saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 110 por barril em poucas semanas, refletindo severos gargalos na oferta global, especialmente no Estreito de Ormuz, onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
O encarecimento dos combustíveis impacta diretamente o consumo, forçando as famílias a reduzirem gastos em outros itens, o que afeta setores como varejo e serviços. O índice de confiança da University of Michigan caiu para 47,6 em abril, o menor nível já registrado.
As expectativas de inflação para os próximos 12 meses subiram para 4,8%, indicando que os consumidores esperam um período prolongado de preços elevados. Embora a inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, tenha subido para 2,6%, economistas alertam que o impacto ainda não foi totalmente transmitido ao restante da economia.
Custos mais altos de transporte e produção devem pressionar preços em cadeias como alimentos e indústria nos próximos meses. Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, afirmou que não haverá “retorno simples” ao cenário anterior, mesmo com uma possível trégua no conflito.
O Federal Reserve enfrenta um dilema, pois a inflação mais alta pode exigir manutenção ou elevação dos juros, enquanto o impacto negativo sobre o crescimento pode demandar estímulos. Recentes atas mostram divisão entre dirigentes sobre como reagir a esse choque externo.
A inflação crescente também aumenta o custo político da guerra para Donald Trump, com pesquisas indicando uma maioria contrária ao conflito e sua popularidade próxima de mínimas históricas. A situação se torna ainda mais crítica com as eleições legislativas de meio de mandato se aproximando.
No campo diplomático, negociações indiretas com o Irã enfrentam entraves, com autoridades iranianas condicionando qualquer avanço a concessões dos EUA e aliados, incluindo o fim de ataques em outras frentes do conflito e o desbloqueio de ativos financeiros.

