O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um dos principais desafios de sua gestão: recuperar a popularidade e subir nas pesquisas de intenção de voto, onde aparece em disputa equilibrada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para isso, Lula busca reduzir a insatisfação do eleitorado em relação ao custo de vida.
Desde o início dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que provocaram um aumento no preço do petróleo, o governo anunciou subvenções para óleo diesel e gás de cozinha, além de desoneração de PIS/Cofins para diesel e querosene de aviação. Essas medidas podem custar até R$ 31 bilhões e serão compensadas com o aumento do imposto sobre cigarros e a cobrança de tributo sobre a exportação de petróleo.
O objetivo é evitar reajustes nos preços dos combustíveis e das passagens aéreas, buscando assim mitigar o mau humor do eleitorado, que já enfrenta um nível recorde de endividamento.
Outra estratégia de Lula para conquistar apoio será o uso da caneta presidencial e da máquina pública. No ano passado, ele utilizou esses instrumentos para implementar diversas medidas, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a distribuição de gás de cozinha para 15 milhões de famílias e a redução da conta de luz, em alguns casos a zero, para 60 milhões de famílias.
Historicamente, a ampliação de gastos e benefícios ocorre quando candidatos à reeleição enfrentam dificuldades. Jair Bolsonaro, por exemplo, em junho de 2022, estava 19 pontos percentuais atrás de Lula na pesquisa Datafolha. No mês seguinte, ele conseguiu aprovar uma proposta de emenda constitucional que permitiu ao governo furar o teto de gastos, destinando mais de R$ 40 bilhões para custear medidas como a ampliação do Bolsa Família de R$ 400 para R$ 600 e a distribuição de ajuda financeira a caminhoneiros.
Essa estratégia resultou em uma recuperação nas intenções de voto de Bolsonaro, que se aproximou de Lula, que acabou vencendo a eleição no segundo turno por menos de dois pontos percentuais de diferença. O precedente está aberto para Lula, que já demonstrou várias vezes não precisar de pretexto para aumentar os gastos públicos.

