Minas Gerais registrou, em média, 97 denúncias de violência contra crianças e adolescentes por dia entre janeiro e o início de abril de 2026. Os dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, obtidos pelo Disque 100, apontam 9.320 queixas no período, um aumento de quase 14% em comparação com o ano anterior.
A morte de um bebê de um ano e oito meses em Belo Horizonte, na última terça-feira, chamou a atenção para o aumento da violência contra crianças e adolescentes no estado. As estatísticas revelam um cenário alarmante: na maioria dos casos, a violência ocorre dentro de casa e é cometida pelos próprios pais. Dos registros feitos, 6.396 apontam o pai ou a mãe como suspeitos.
O caso que gerou repercussão aconteceu no Cabana do Pai Tomás, na Região Oeste da capital. A equipe médica da UPA Oeste, que recebeu a criança, levantou suspeitas que levaram à prisão do padrasto e da mãe. O menino chegou à unidade de saúde sem vida, apresentando hematomas pelo corpo, sangramentos, um dos olhos roxo e sinais de desnutrição. O padrasto, que procurou atendimento, alegou que a criança havia se engasgado. O casal foi preso em flagrante e a Justiça converteu a prisão em preventiva, sem prazo determinado.
O homem, de 32 anos, responderá por homicídio qualificado, enquanto a mãe, de 26 anos, enfrentará acusações de maus-tratos que resultaram em morte. A mulher deu à luz outro filho um dia antes de ser presa. Uma outra criança do casal, de quatro anos, está sob os cuidados do Conselho Tutelar.
“‘É uma vigilância social em que todo mundo tem a responsabilidade. Diante de qualquer suspeita de violência, não preciso ter a confirmação, é importante realizar a denúncia’, afirmou Lucas Lopes, secretário executivo da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes.”
Ele também destacou a necessidade de mais ações preventivas. ‘As pessoas em geral no Brasil têm medo de denunciar. A segunda coisa é cobrar dos governantes, em nível municipal, estadual e federal, que o Brasil possa ter mais política pública de proteção à criança e adolescentes e, principalmente, políticas de prevenção, porque nós precisamos chegar na proteção antes que a violência aconteça’.

