As negociações entre os Estados Unidos e o Irã terminaram sem um acordo na madrugada de domingo (12), após 21 horas de reuniões realizadas no Paquistão.
Autoridades dos dois países confirmaram o impasse, apontando divergências centrais sobre temas estratégicos, como o programa nuclear iraniano, a liberação de ativos congelados e a segurança no Oriente Médio.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou à TV estatal iraniana que as conversas fracassaram devido a “divergência de opiniões sobre duas ou três questões importantes”. Segundo ele, apesar de haver entendimento mútuo em alguns tópicos, “as negociações não resultaram em um acordo”.
Baghaei confirmou que o Estreito de Ormuz esteve entre os temas discutidos, sem mencionar conversas sobre armas nucleares.
Pelo lado americano, o vice-presidente J.D. Vance declarou a jornalistas que as negociações foram encerradas após o Irã se recusar a aceitar os termos propostos por Washington para não desenvolver armas nucleares. Ele afirmou que os Estados Unidos exigem um compromisso claro de que Teerã não buscará produzir uma bomba atômica nem desenvolver meios que permitam obtê-la rapidamente.
Após um pronunciamento de pouco mais de três minutos, Vance deixou o Paquistão sem responder a perguntas. No sábado (11), o presidente Donald Trump havia minimizado a importância de um possível acordo, afirmando que não faria diferença se um entendimento fosse alcançado.
Trump também repetiu declarações anteriores de que o país teria eliminado a força aérea, a marinha e a liderança do Irã. A delegação americana nas negociações foi liderada por Vance, acompanhado de Steve Witkoff e Jared Kushner.
Do lado iraniano, participaram o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. Entre os pontos centrais das conversas estava o desbloqueio de recursos iranianos congelados.
Fontes próximas à delegação de Teerã afirmaram que a participação nas negociações só ocorreu após uma decisão americana de liberar esses ativos, uma das principais exigências iranianas. Os Estados Unidos, porém, não confirmaram oficialmente a medida.
O Estreito de Ormuz também permaneceu como tema crítico, com restrições mantidas mesmo após o cessar-fogo. Outro ponto de tensão é o Líbano, que continua sendo alvo de ataques israelenses. No sábado, novos bombardeios deixaram ao menos oito mortos no sul do país.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que continuará atacando o Irã e seus aliados. O analista de política internacional Uriã Fancelli avaliou, em entrevista à rádio CBN, que a continuidade da guerra não interessa a nenhum dos países.
Segundo ele, apesar de o Irã ter estruturado suas instituições para manter o funcionamento do Estado, as perdas provocadas pelo conflito são relevantes. Em publicação nas redes sociais, Ghalibaf afirmou que os negociadores iranianos apresentaram “iniciativas construtivas”, mas que Washington foi “incapaz” de conquistar a confiança de Teerã nesta rodada de negociações.
O encerramento sem acordo mantém o cenário de incerteza sobre o futuro do conflito e das relações entre os dois países.

